Quarta-feira, 24 jun 2020 - 09h24
Por Maria Clara Machado

Nuvem de milhares gafanhotos está perto do Sul do Brasil

Uma grande nuvem de milhares gafanhotos está se aproximando do Sul do Brasil, depois de ter destruído plantações de milho no Paraguai e na Argentina na semana passada. As imagens são surpreendentes e a preocupação é grande, já que se sabe que o enxame de gafanhotos pode rapidamente destruir lavouras inteiras.

Nuvem de gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata que destruiu plantações de milho no Paraguai e na Argentina está perto do Sul do Brasil. Os insetos poderão passar pelo oeste do RS e SC antes de seguirem para o Uruguai. Crédito: Imagem reproduzida em redes sociais.
Nuvem de gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata que destruiu plantações de milho no Paraguai e na Argentina está perto do Sul do Brasil. Os insetos poderão passar pelo oeste do RS e SC antes de seguirem para o Uruguai. Crédito: Imagem reproduzida em redes sociais.

Segundo pesquisadores e autoridades brasileiras e argentinas, que estão monitorando o fenômeno, os fortes ventos continuam impulsionando a nuvem de gafanhotos. Os insetos poderão chegar em breve ao oeste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina antes de seguirem para o Uruguai.

Agrônomos explicam que uma nuvem com até 40 milhões de insetos pode destruir em um único dia pastagens que seriam consumidas por duas mil cabeças de gado. Entretanto, os gafanhotos não oferecem risco direto aos seres humanos.

Veja imagens dos gafanhotos em Corrientes, no território argentino, neste dia 23 divulgadas em canais do youtube:

O que explica o fenômeno?
Fatores relacionados ao clima como temperatura e precipitação, mais especificamente o tempo quente e seco, direção dos ventos, além da alta de predadores naturais, são apontados como algumas possíveis explicações para a migração dessa enorme quantidade de gafanhotos.

Especialistas também defendem que estas manifestações fazem parte do ciclo da espécie. O Ministério da Agricultura da Argentina afirma que essa espécie que avança pela América do Sul chama Schistocerca cancellata e é pouco conhecida.

A presença dos gafanhotos em bando é rara aqui no país, porém já foi observada outras vezes na Região Sul. Aconteceram surtos no passado, nas décadas de 40 e 70, lembra o pesquisador Ivo Pierozzi Júnior, em entrevistas para a imprensa. Cidades do norte de Minas Gerais enfrentaram o mesmo problema em 2015.

As condições do clima serão determinantes, pois se encontrarem boas condições de sobrevivência, alimentação e reprodução, os insetos poderão permanecer em uma determinada região por um longo tempo.

Infestações na África
Agricultores do leste da África enfrentaram o pior surto de gafanhotos dos últimos 70 anos com grande destruição em lavouras de milho e feijão no mês de janeiro deste ano. Foram milhares de hectares infestados no Quênia, Somália e Etiópia. A nuvem de gafanhoto migrou de áreas do Iêmen.





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