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Sexta-feira, 30 jan 2026 - 11h46
Por Maria Clara Machado

A saúde dos ursos polares diante da perda de gelo marinho no Ártico está surpreendendo

A comunidade de ursos polares em Svalbard, um arquipélago norueguês, no oceano Ártico, vem demonstrando uma surpreendente capacidade de adaptação e enfrentamento às mudanças climáticas até agora, diante da rápida perda de gelo marinho na região. As boas condições físicas desses animais foram objeto de estudo, publicado esta semana pela Scientific Reports.

Imagem ilustrativa. Espécie urso polar encontrado em regiões do Ártico. Crédito: <BR>Por Steve Amstrup, United States Fish and Wildlife Service, USFWS, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=290336
Imagem ilustrativa. Espécie urso polar encontrado em regiões do Ártico. Crédito:
Por Steve Amstrup, United States Fish and Wildlife Service, USFWS, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=290336

Como os ursos polares estão sobrevivendo
O que chamou a atenção dos pesquisadores é que as reservas de gordura corporal dos ursos polares aumentaram ao mesmo tempo em que os níveis de gelo marinho diminuíram rapidamente. Algo que à primeira vista parece uma contradição.

Os pesquisadores estudaram o impacto que o novo habitat está tendo na alimentação dos mamíferos e concluíram, que a melhoria nas condições físicas dos ursos em Svalbard, está relacionada a uma maior disponibilidade e fácil acesso às presas como as focas e as morsas, principais alimentos.

Diversos estudos têm destacado os efeitos negativos na condição corporal e na demografia em áreas onde a cobertura de gelo marinho está diminuindo devido ao aquecimento global.

A temperatura da água do mar ao redor de Svalbard subiu até 2°C por década desde 1980 e a taxa de perda de gelo marinho tem sido consideravelmente maior em Svalbard do que em outras regiões com ursos polares.

Mapa mostra a área de capturas de ursos polares para as pesquisas. Crédito: divulgação Instituto Polar Norueguês
Mapa mostra a área de capturas de ursos polares para as pesquisas. Crédito: divulgação Instituto Polar Norueguês

Neste cenário, foi investigada a variação no índice de condição corporal (ICC) em 770 ursos adultos, 1188 capturados, entre março e maio de 1995 e 2019, em Svalbard, Noruega, localizado na parte ocidental do Mar de Barents.

Foi feita uma comparação no ICC dos ursos, um indicador das reservas de gordura e condição corporal com o número de dias sem gelo na região do mar de Barents ao longo de 27 anos.

O estado reprodutivo das fêmeas e machos diminuiu até o ano 2000, mas aumentaram posteriormente de forma notável, durante um período de rápida perda de gelo marinho.

Conclusões exigem cautela
Até os pesquisadores admitiram que as descobertas recentes diferem de publicações científicas anteriores sobre o declínio da população de ursos polares coincidindo com a perda de gelo marinho no Ártico.

Imagem ilustrativa. Urso polar nada em mar aberto no Ártico. Crédito: CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2388690
Imagem ilustrativa. Urso polar nada em mar aberto no Ártico. Crédito: CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2388690

Porém, o estudo ressalta que estas conclusões referentes à Svalbard não podem ser estendidas e generalizadas para todas as regiões com ursos polares no Ártico.

Além disso, a perda de gelo marinho no Mar de do Mar de Barents poderá dificultar a vida dos ursos na região futuramente, visto que todo o ecossistema está sendo modificado.

Com o degelo contínuo, aumentam as distâncias que os animais precisam percorrer para alcançar as áreas de caça, explicam os estudiosos. As pesquisas vão continuar para entender melhor quais serão os limites da capacidade de adaptação dos ursos polares, ou seja, o quanto de perda de gelo marinho eles ainda vão conseguir tolerar.

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