Quinta-feira, 17 jun 2021 - 15h39
Por Maria Clara Machado

Alerta vermelho: crise hídrica se agrava a cada dia na Bacia do Paraná

Os rios Paraná e Iguaçu, que compõe a Bacia do Paraná, estão enfrentando uma grave estiagem com impacto direto no abastecimento de água no estado paranaense e na geração de energia pela Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional. O sinal vermelho acendeu em maio, quando o Sistema Nacional de Meteorologia emitiu alerta de emergência hídrica para a bacia, o primeiro da história.

Cenário das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, neste mês de junho. Crédito: Divulgação SANEPAR
Cenário das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, neste mês de junho. Crédito: Divulgação SANEPAR

Crise hídrica se agrava a cada dia
A vazão das Cataratas do Iguaçu atingiu um quinto do que é considerado normal para a época, nos últimos dias 9 e 10 de junho. O nível rio Paraná está 8,5 metros abaixo da média dos últimos cinco anos na região da Ponte da Amizade, no limite entre Foz do Iguaçu e o Paraguai.

Na Bacia do Iguaçu, o normal das Cataratas nesta época é de 1,5 milhão de litros de água por segundo e atualmente está com 308 mil litros por segundo. Esse cenário reflete a pouca chuva que caiu sobre a bacia não só em Foz do Iguaçu, mas também na nascente do rio Iguaçu, em Curitiba, que tem impacto direto na vazão das Cataratas, no oeste do Paraná.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), choveu cerca de 700 milímetros entre os meses de janeiro e os primeiros dias de junho em Foz do Iguaçu. A média para o período é de aproximadamente 1.035 milímetros.

Outro agravante é o volume de água do rio Paraná na região da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no oeste do estado, está em torno de 40% abaixo do normal, o menor valor em 37 anos, conforme foi divulgado.

A pesca, importante de atividade de sustento, vem sendo muito prejudicada. O escoamento da safra de grãos para o Paraguai também está fortemente afetado já que depende da navegação pelo rio Paraná. O carregamento dos navios no lado argentino do rio Paraná também precisou diminuir para evitar que as embarcações encalhem.

A seca extrema também é sentida principalmente no sudoeste do Paraná, com as cidades de Pranchita e Santo Antônio do Sudoeste enfrentando rodízio no abastecimento de água desde abril e o começo de maio. Os rios e poços que abastecem as localidades, já perderam até 60% da quantidade de água disponível para o abastecimento.

A seca se agrava na Barragem do Iraí, responsável pelo abastecimento de água em Curitiba. Crédito: Divulgação no fim de maio pelo SANEPAR.
A seca se agrava na Barragem do Iraí, responsável pelo abastecimento de água em Curitiba. Crédito: Divulgação no fim de maio pelo SANEPAR.

Em Curitiba, a situação é crítica com rodízio de água adotado desde março de 2020 pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), no esquema de 60 horas de abastecimento e 36 horas sem água. A situação só veio se agravando, já que a região metropolitana fechou o mês de abril como o mais seco em 12 anos, segundo dados do SIMEPAR.

Nesta quinta-feira, dia 17, o nível do Sistema de Abastecimento de Água Integrado de Curitiba estava em 51,13%.

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Situação nos próximos meses
A Bacia do Paraná abrange os de Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, e inclui além dos rios Paraná e Iguaçu, outros rios como o Ivaí, o Tietê, o Paranapanema, o Grande e o Paranaíba. O principal da bacia é justamente o rio Paraná, que recebe as águas de grandes afluentes como o Tietê, o Grande e o Paranapanema.

A importância da Bacia do Paraná vai além do Brasil. Ela também abrange parte da Argentina, do Paraguai e do Uruguai, na chamada tríplice fronteira.

Abrangência da Bacia do Paraná no Brasil. Crédito: Wikipédia, domínio público.
Abrangência da Bacia do Paraná no Brasil. Crédito: Wikipédia, domínio público.

O Sistema Nacional de Meteorologia (SMN) emitiu alerta de emergência hídrica para a Bacia do Paraná em 28 de maio, para o período de junho a setembro, época normal da redução das precipitações nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, diante do agravamento do déficit de chuva já observado nos últimos meses.

Além do volume de chuva ser historicamente baixo neste período, as previsões de clima para os próximos meses são de chuvas abaixo da média na região, o que pode agravar ainda mais a crise hídrica como um todo.

Esta é a primeira vez na história do Brasil que um alerta deste tipo precisou ser emitido para a Bacia do Paraná.



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