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Segunda-feira, 28 abr 2025 - 16h23
Por Maria Clara Machado
Alterações em sistemas meteorológicos estão acelerando derretimento na Patagônia
Um estudo publicado recentemente pela revista científica Nature trouxe à tona uma descoberta importante: a alteração na posição de sistemas meteorológicos no Pacífico Sul está influenciando nas temperaturas e na concentração de gelo na Patagônia, acelerando o processo de derretimento das geleiras.
![]() Face oeste do Cerro Chalten, dia 25 de abril. Crédito: divulgação via X @tylekki De acordo com os pesquisadores, grandes sistemas de alta pressão atmosférica, como por exemplo, a Alta do Pacífico Sul, estão se movendo cada vez mais em direção ao Polo Sul. Esta mudança de posição do sistema de alta pressão acaba por favorecer o aumento do escoamento de água das geleiras, ao mesmo tempo em que as temperaturas aumentam. O deslocamento dos chamados anticiclones subtropicais mais ao sul do Hemisfério Sul, tem como consequência direta a redução de frentes frias, que chegam ao oeste e a persistência de ventos mais quentes e secos, soprando de noroeste para a região da Patagônia.
O aquecimento acelerado na Cordilheira dos Andes do Sul chama a atenção e foi de 0,14°C por década, 17% mais rápido do que a média do planeta. Além do aquecimento da atmosfera, a presença de menos neve pelo derretimento, leva também ao maior aquecimento do solo. O que é ainda mais alarmante, é que os cientistas acreditam que mesmo com um recuo do aumento das temperaturas globais do planeta, a inércia continuaria empurrando os anticiclones (sistemas de alta pressão) em direção ao Polo Sul por décadas. ![]() Glaciar Huemul, 5 de março. Crédito: divulgação via X @argentinapatago/@naturavccultura Modelos computacionais e matemáticos ajudaram no cálculo da perda de massa das geleiras na Patagônia entre 1940 e 2023. Tudo foi analisado, a quantidade de neve e chuva acumulada versus a quantidade de água derretida e perda na evaporação. O estudo revelou que desde a década de 1940, as geleiras da Patagônia já perderam mais de um quarto do seu volume total, resultando também na elevação do nível do mar em 3,7 mm no globo. Desta maneira, os estudiosos explicam que não é a falta de neve na região que diminui a quantidade de gelo, e sim, o aumento do fluxo da água derretida, que escorre pela superfície. Quando a camada mais exposta de neve derrete, o gelo glacial fica exposto. Este é mais escuro e retém mais calor do Sol, assim o gelo derrete mais rápido, criando “um ciclo vicioso de maior escoamento e maior perda de massa”, declarou o pesquisador Stef Lhermitte, da Universidade Católica de Louvain. Os impactos são locais e globais. As geleiras da Patagônia são fontes importantes de água doce para os rios, a agricultura e as comunidades locais. O derretimento da neve também produz energia hidrelétrica. O habitat local com inúmeras espécies também está ameaçado por conta das alterações do clima e o recuo da massa de gelo. ![]() Terra do Fogo, Patagônia Argentina, 23 de abril. Crédito: divulgação via X @Ushuaiamag As projeções mostram que as geleiras em risco, nas fronteiras da Argentina e do Chile, poderão desaparecer em 220 anos, e conclui ressaltando a importância de agir para proteger esse imponente ecossistema. |
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