Siga-nos
Sexta-feira, 13 jun 2025 - 09h18
Por Maria Clara Machado

Aquecimento global está diminuindo severamente os pinguins-imperadores na Antártida

Um estudo, que acaba de ser publicado na revista científica Nature Communications: Earth & Environment, revela que a população de pinguins-imperadores vem sofrendo um grave declínio, excedendo até mesmo as projeções de modelos de clima feitas para a Antártida. A mudança no gelo marinho está entre os principais fatores que afetam as colônias.

Imagem ilustrativa de colônia de pinguins-imperadores na Antártida. Crédito: Por Image ID: corp2417, NOAA Corps CollectionPhotographer: Giuseppe ZibordiCredit: Michael Van Woert, NOAA NESDIS, ORA, http://de.wikipedia.org/wiki/Bild:Kaiserpinguine mit Jungen.jpg, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=748680
Imagem ilustrativa de colônia de pinguins-imperadores na Antártida. Crédito: Por Image ID: corp2417, NOAA Corps CollectionPhotographer: Giuseppe ZibordiCredit: Michael Van Woert, NOAA NESDIS, ORA, http://de.wikipedia.org/wiki/Bild:Kaiserpinguine_mit_Jungen.jpg, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=748680

Rápido declínio
Os pesquisadores da British Antartic Survey (BAS), autores do estudo, observaram por satélite dezesseis colônias de pinguins-imperadores que habitam a Península Antártica, no lado leste e oeste, no Mar de Weddell e no Mar de Bellingshausen.

Um terço da população mundial de pinguins desta espécie está nesta região. A conclusão é que a redução do número de pinguins nas colônias é superior a 20% no período de 15 anos.

Os dados surpreendem, pois as projeções iniciais, baseadas em modelos computacionais, seriam de uma redução em torno de 9,5% da população em toda a Antártida entre os anos de 2009 e 2018, quando começou o monitoramento por satélite na região.

Aquecimento global é principal fator
Peter Fretwell, que liderou a pesquisa, afirma que as mudanças climáticas estão impactando de forma desoladora os pinguins-imperadores da Antártida. A população de pinguins vem diminuindo desde 2009 e isto tem sido agravado pelo aquecimento global.

O aquecimento das águas e a diminuição do gelo marinho, além de chuvas mais intensas e por outro lado, o maior aumento de predadores, são fatores que vêm diminuindo severamente a população dos pinguins-imperadores, de acordo com Fretwell.

Um mapa divulgado pela BAS mostra a área de estudo dos pinguins-imperadores na Península Antártida, que inclui regiões em rápida transformação até áreas menos afetadas ainda pelas mudanças climáticas. Várias colônias foram descobertas, quando o processo de estudo começou em 2009.

Área de estudo das colônias de pinguins-imperadores desde 2009. Crédito: BAS
Área de estudo das colônias de pinguins-imperadores desde 2009. Crédito: BAS

O aquecimento global tem um efeito significativo no gelo marinho, que se forma em águas abertas junto à parte continental, e que está mais instável.

O gelo em que os pinguins habitam está mais fino em suas áreas de reprodução.

Nos últimos anos, colônias perderam os filhotes porque o gelo desabou mais cedo sob as patas e os pinguins ainda não estavam preparados para enfrentar as adversidades do oceano gelado. Muitos se perderam aí por afogamento ou congelamento.

Ciclo dos pinguins-imperadores foi retratado em documentário
O diretor Luc Jacquet destacou de forma extraordinária e sensível a importância da preservação do habitat para esta espécie já há 20 anos no documentário francês “A Marcha dos Pinguins”.

O premiado documentário de 2005 é uma ótima referência e acompanha todo o ciclo de vida dos pinguins-imperadores na Antártida, mostrando a complexidade de sobrevivência na região.

Qual será o futuro da espécie?
Novas pesquisas demonstram um cenário preocupante se o aquecimento do planeta continuar sem freio.

Imagem ilustrativa. Família de pinguins-imperadores na Antártida. Crédito: Denis Luyten, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=76146880
Imagem ilustrativa. Família de pinguins-imperadores na Antártida. Crédito: Denis Luyten, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=76146880

É preciso reavaliar as projeções diante destes novos dados, afirma Fretwell. Modelos computacionais já demonstram que a extinção da espécie pode estar próxima no final do século.

Entretanto, os pesquisadores acreditam que ainda exista tempo de salvar a espécie, caso as emissões globais de gases de efeito estufa e os efeitos do aquecimento global sejam reduzidos num futuro próximo.

Clique + NOTÍCIAS aqui!


Você também pode se interessar por nossos Podcasts!



Procure no Painel