Sexta-feira, 27 nov 2020 - 10h45
Por Maria Clara Machado

Astronautas fotografam deslumbrantes paisagens de grandes nuvens de poeira

A visão privilegiada dos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) permite observar com detalhes as condições atmosféricas e os fenômenos naturais globais em cenários surpreendentes. Os astronautas registraram extensas nuvens de poeira em 2020.

Extensa nuvem de poeira sobre o Mediterrâneo fotografada pelos astronautas da ISS em 10 de junho. Crédito: NASA.
Extensa nuvem de poeira sobre o Mediterrâneo fotografada pelos astronautas da ISS em 10 de junho. Crédito: NASA.

Enquanto a Estação Espacial Internacional (ISS) sobrevoava o deserto da Síria em direção ao mar Mediterrâneo e a ilha Chipre, os astronautas observavam uma extensa nuvem de poeira sobre o oceano. Essa espetacular paisagem ainda contou com a lua minguante visível na direção do Deserto do Saara, acima do horizonte da Terra em 10 de junho. A fotografia foi adquirida com uma câmera digital Nikon D5 usando uma lente de 50 milímetros e divulgada recentemente pelo earth observatory da NASA.

Os astronautas a bordo da ISS são treinados para fotografar este tipo de paisagem do espaço. As bordas das nuvens de poeira e os aerossóis são mais fáceis de serem identificados sobre o oceano quando há linhas costeiras como referência para a localização.

Dados do satélite AQUA, da NASA, indicavam uma alta concentração de poeira sobre a Turquia neste dia. Nessa região, a poeira normalmente vem do Norte da África e da Ásia Ocidental.

Ao contrário do que se pode pensar, quando a poeira sobrevoa a imensidão do mar é benéfica, fornecendo nutrientes cruciais às comunidades fitoplanctônicas e microbianas que vivem na superfície da água. Sabe-se que no mar Mediterrâneo há pouca entrada de nutrientes de outras fontes, portanto essas tempestades de poeira são extremamente importantes para a vida marinha da região.

Grande nuvem do Saara marcou 2020
O mesmo fenômeno natural dominou o Atlântico norte de ponta a ponta em junho deste ano, quando uma gigantesca nuvem de poeira viajou do Saara ao Caribe e ficou estacionada por vários dias. Nesta ocasião, todos os países da região foram cobertos pela densa nuvem de poeira, tiveram suas paisagens e insolação modificadas e a qualidade do ar bastante afetada.

A densa nuvem de poeira vinda do Saara domina o mar do Caribe, enquanto nuvens de tempestade se formam sobre a Ilha Andros, nesta foto tirada por astronautas da ISS em 23 de junho. Crédito: NASA.
A densa nuvem de poeira vinda do Saara domina o mar do Caribe, enquanto nuvens de tempestade se formam sobre a Ilha Andros, nesta foto tirada por astronautas da ISS em 23 de junho. Crédito: NASA.

Por outro lado, a presença da grande nuvem de poeira do Saara, um dos eventos mais densos já registrados, conseguiu inibir o desenvolvimento dos furacões sobre o mar do Caribe e o Atlântico no início oficial da temporada, em julho.

A ISS sobrevoava o sul de Indiana, no nordeste dos Estados Unidos, quando um cobertor de poeira pode ser fotografado sobre o Atlântico por um membro da Expedição 63 da ISS em 23 de junho. No detalhe da foto, a ilha Andros, no arquipélago das Bahamas, ao norte de Cuba, foi flagrada isolada onde nuvens de tempestade de grande extensão vertical se formavam.

No momento da foto a tripulação estava a 1800 quilômetros da ilha Andros, mas conseguiu uma imagem privilegiada utilizando uma lente de 400 milímetros.

Além das nuvens de tempestade sobre Andros, a enorme massa de poeira dominava a paisagem do mar do Caribe e do Atlântico cobrindo as áreas territoriais.

Dez dias antes da foto, a gigantesca nuvem de poeira havia saído do deserto do Saara ocidental percorrendo uma distância de mais de 7 mil quilômetros sobre o oceano Atlântico central. Foram centenas de quilômetros com a superfície do mar completamente escurecida na visão dos astronautas.



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