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Segunda-feira, 26 mai 2025 - 10h52
Por Maria Clara Machado

Austrália enfrenta enchente secular com impacto em milhares de pessoas e animais

As recentes chuvas e inundações catastróficas, que atingiram o leste da Austrália por três dias consecutivos, fizeram cinco vítimas fatais, deslocaram milhares de pessoas e provocaram enorme impacto em pastagens, com grande mortandade de animais. As autoridades consideram a pior situação no interior do estado de Nova Gales do Sul em 100 anos.

Vista aérea de comunidades atingidas por enchentes no interior de Nova Gales do Sul. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology
Vista aérea de comunidades atingidas por enchentes no interior de Nova Gales do Sul. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology

Enchentes devastadoras
Os bombeiros confirmaram que as vítimas foram encontradas já sem vida em suas casas alagadas e em carros arrastados pelas águas. Pelo menos 50 mil pessoas ficaram ilhadas no interior do estado com a água chegando aos telhados de casas e invadindo dezenas de estabelecimentos comerciais. Os resgates precisaram acontecer com a ajuda de helicópteros.

De acordo com o Bureau de Meteorologia da Austrália (BOM), o volume de chuva em três dias foi o equivalente a precipitação esperada para seis meses.

É a maior quantidade de chuva em um século na região mais castigada formada por rios e vales, a cerca de 400 quilômetros ao norte de Sidney, entre a costa central e norte de Nova Gales do Sul (NSW).

As chuvas generalizadas e localmente intensas se estenderam por cadeias de montanhas, provocando inundações repentinas, principalmente nas áreas baixas.

O BOM divulgou alguns dos maiores acumulados de chuva em 3 dias da semana passada. Choveu 614 mm em Yarras, 600 mm em Comboyne, 572 mm em Mooral Creek, 535 mm em Careys Peak, 523 mm em Barrington Tops e 502 mm no Aeroporto de Taree.

Interior de Nova Gales do Sul foi castigado com mais de 600 mm de chuva. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology<BR>
Interior de Nova Gales do Sul foi castigado com mais de 600 mm de chuva. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology

Como grande parte é área é rural, houve extensos danos em estradas locais, fazendas e comunidades inteiras, que ficaram completamente inundadas e milhares ainda estavam sem energia elétrica no fim de semana.

Estima-se que 140 mil cabeças de gado morreram. Outros animais como vacas e cavalos, além de colmeias, também não resistiram às graves inundações.

A Força de Defesa da Austrália foi mobilizada e as autoridades locais definiram a região como “zona de desastre”. O governo declarou estado de desastre natural já na sexta-feira, dia 23, a fim de liberar mais recursos para as áreas atingidas por uma das piores enchentes do país.

A água começou a baixar neste começo de semana dando início aos trabalhos de recuperação e a real avaliação dos danos.

As autoridades locais ainda chamam a atenção para a grande quantidade de lama, que representa perigo, inclusive pela possibilidade de cobras invadirem as casas em busca de abrigo.

Inundações históricas em Novas Gales do Sul. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology
Inundações históricas em Novas Gales do Sul. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology

Estradas ficaram bloqueadas com as enchentes na Austrália. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology
Estradas ficaram bloqueadas com as enchentes na Austrália. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology

Danos são extensos em plantações e pastagens de Nova Gales do Sul. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology
Danos são extensos em plantações e pastagens de Nova Gales do Sul. Crédito: divulgação via Instagram @bureauofmeteorology

Extremos climáticos
Segundo os especialistas na área de meteorologia na Austrália, os oceanos que banham o país, Índico e Pacífico, vêm registrando temperaturas da água do mar mais quentes do que o normal nos últimos meses.

É uma condição que evapora mais umidade, o que pode favorecer a ocorrência de chuvas mais intensas.

Para o especialista Mahdi Sedighkia, “a emergência desta semana oferece evidências de como as mudanças climáticas podem afetar os padrões meteorológicos regionais”.

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