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Terça-feira, 11 fev 2025 - 14h22
Por Maria Clara Machado

Austrália estuda plano de retirada de habitantes das Ilhas Cocos pela elevação do mar

O aumento do nível do mar pode forçar a retirada de todos os habitantes das Ilhas Cocos, um arquipélago formado por 27 ilhas no Pacífico, ao noroeste de Perth, na Austrália Ocidental. O plano é estudado pelo governo australiano, entretanto os moradores das ilhas não estão concordando com a ideia.

Imagem aérea de ilha habitada em Cocos. Crédito: divulgação Condado de Cocos Islands
Imagem aérea de ilha habitada em Cocos. Crédito: divulgação Condado de Cocos Islands

Janeiro de 2025 é o mais quente já registrado na história

O arquipélago abrange uma área de 14 quilômetros quadrados e tem hoje somente duas ilhas habitadas, West e Home, com uma população estimada de 600 moradores.

Sua economia é baseada principalmente no turismo, que recebe 100 mil visitantes por ano, e na produção de coco.

O plano proposto pela Austrália é a realocação de centenas de moradores nos próximos 10 a 50 anos, visando o impacto previsto pela elevação do mar na região com uma perspectiva de subir 18 centímetros até 2030.

Uma tempestade fez o mar avançar e provocou danos em praias na West Island em outubro de 2024. Crédito: divulgação Condado de Cocos Islands
Uma tempestade fez o mar avançar e provocou danos em praias na West Island em outubro de 2024. Crédito: divulgação Condado de Cocos Islands

Entenda o impasse
Os detalhes da proposta estão contidos em um Plano de Adaptação e Gerenciamento de Riscos Costeiros (CHRMAP). Segundo o relatório, as ações visam proteger vidas que estão vulneráveis e destaca que a proteção da infraestrutura local é muito cara.

No início do povoamento das ilhas em 1827, a região era de bandeira britânica, mas em 1984 um referendo das Nações Unidas resultou na integração total do território à Austrália. Desde 1978, é mantido um fundo para a sobrevivência dos moradores.

As autoridades locais reagiram fortemente à proposta da Austrália de querer desocupar as ilhas remotas e o aponta que o relatório do CHRMAP viola os direitos humanos. Além disso, criticam a falta de investimento na proteção das ilhas devido às mudanças climáticas.

Frank Mills, presidente-executivo do Condado de Cocos, afirmou que se trata “praticamente de um projeto para se livrar das Ilhas Cocos”. "Contestaremos o conteúdo dele o máximo que pudermos”, declarou recentemente Mills.

"Eles estão escolhendo a Defesa em vez de uma cultura que, francamente, é anterior à federação australiana. Somos apenas 600. Não contribuímos para as emissões de carbono ou algo assim, mas estamos levando a pior”, desabafou uma moradora de West Island.

Já um porta-voz da Administração dos Territórios do Oceano Índico afirmou que as comunidades ainda serão consultadas nos próximos meses, assim como anunciou um pacote de investimentos para preparações emergenciais nas ilhas.

Mudanças Climáticas
De acordo com dados do Bureau de Meteorologia da Austrália (BOM), o nível do mar vem aumentando cerca de 4 milímetros por ano em Home Island, uma das ilhas habitadas, desde 1992.

As projeções mostram que o nível do oceano Índico poderá subir de 14 cm a 18 cm em 2030 e estar entre 40 cm a 44 cm mais alto em 2070 na região, quando as águas atingirem a maioria dos assentamentos.

Atualmente, as inundações já são corriqueiras em algumas vilas na maioria dos eventos de chuva. As tempestades severas também são frequentes no verão, com uma média de quase três ciclones tropicais por ano, além das marés altas, que avançam pelas áreas costeiras.

Inundações já são frequentes durante tempestades em Home Island. Crédito: divulgação Condado de Cocos Islands
Inundações já são frequentes durante tempestades em Home Island. Crédito: divulgação Condado de Cocos Islands

Em agosto de 2024, um tratado inédito de reassentamento climático entrou em vigor entre a Austrália e a pequena ilha de Tuvalu, no Pacífico, também apontada como uma das primeiras regiões, que poderá desaparecer no futuro com o aumento do nível dos oceanos.

A Austrália passa a oferecer residência permanente a até 280 pessoas de Tuvalu todos os anos e se compromete a tomar medidas para ajudar a preservar a identidade cultural da população.

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