Sexta-feira, 4 fev 2022 - 16h03
Por Maria Clara Machado

Gelo marinho restante da baía de Larsen B na Antártica se despedaça em inúmeros blocos

O restante do gelo marinho que se sustentava na baía de Larsen B, plataforma que se desprendeu da Península Antártica há mais de duas décadas, se despedaçou completamente no final de janeiro. Satélites da NASA detectaram imagens espetaculares e detalhadas antes e depois do colapso. Agora são inúmeros pedaços de gelo flutuando.

Imagem de satélite mostra detalhes do restante da baía da Plataforma Larsen B, na Antártica, no dia 26 de janeiro. O gelo se despedaçou em inúmeros blocos. Crédito: NASA
Imagem de satélite mostra detalhes do restante da baía da Plataforma Larsen B, na Antártica, no dia 26 de janeiro. O gelo se despedaçou em inúmeros blocos. Crédito: NASA

A grande extensão do gelo marinho que persistia na baía de Larsen B desde 2011 se estilhaçou no decorrer de alguns dias do mês passado e ainda levou junto um pedaço de cerca de 380 km quadrados da vizinha plataforma Scar Inlet.

Os satélites AQUA e TERRA, da NASA, adquiriram imagens comparativas em cores naturais da baía e da plataforma de gelo Larsen B na segunda quinzena de janeiro. A primeira imagem mostra a Península Antártica em 16 de janeiro de 2022, antes do rompimento da baía.

Península Antártica e baía da plataforma Larsen B, antes do colapso em 16 de janeiro de 2022. Crédito: NASA
Península Antártica e baía da plataforma Larsen B, antes do colapso em 16 de janeiro de 2022. Crédito: NASA

Na segunda imagem do dia 26 de janeiro a baía de Larsen B aparece despedaçada, logo após o rompimento do gelo marinho.

Baía da Plataforma Larsen B estilhaçada no dia 26 de janeiro de 2022. Crédito: NASA
Baía da Plataforma Larsen B estilhaçada no dia 26 de janeiro de 2022. Crédito: NASA

Os cientistas estão investigando os possíveis motivos para o evento tão irreversível. Há indícios de que o verão austral mais quente e úmido na região pode ter desestabilizado o grande bloco de gelo.

Relembre os acontecimentos com a Larsen B
Há pelo menos vinte e dois anos, o gelo glacial na Península Antártica fluía em direção ao mar e continuava alimentando a plataforma de gelo flutuante conhecida como Larsen B.

A plataforma, por sua vez, ajudava naturalmente a apoiar as geleiras afluentes do interior diminuindo seu fluxo em direção ao mar. Foi quando no começo de 2002 a Larsen B quebrou abruptamente. Sem o apoio da enorme prateleira de gelo, calculada em 3250 quilômetros quadrados, as geleiras ficaram mais finas e começaram a fluir mais rapidamente para o mar aberto.

Assim a cada inverno, o gelo marinho crescia sobre a água do mar e depois derretia quase por completo na maioria dos verões. Só nove anos depois, em 2011, o gelo marinho começou a crescer em março e permaneceu sólido. A baía de Larsen B foi anexada à plataforma Scar Inlet e continuou congelando resistindo por diversos verões seguintes.

Ocasionalmente o gelo marinho recuava em suas bordas, mas a maior parte vinha se sustentando até janeiro deste ano.

Através das imagens de satélite foi possível observar que o colapso ocorreu entre os dias 19 e 21 de janeiro de 2022. O gelo marinho se estilhaçou enquanto se afastava para longe da costa se misturando a vários icebergs na região.

Saiba mais sobre a plataforma de gelo Larsen
A plataforma de gelo Larsen, formada ao longo de 12 mil anos é bastante extensa e se estende por 1600 quilômetros pela costa leste da Península Antártica, ao noroeste do Mar de Weddell.

Ilustração da divisão de plataformas  Larsen, na Península Antártica. Crédito: A.J Cook and D. G. Vaughan/Wikipedia
Ilustração da divisão de plataformas Larsen, na Península Antártica. Crédito: A.J Cook and D. G. Vaughan/Wikipedia

Na prática é dividida em três principais plataformas: a Larsen A, B e C. A plataforma Larsen A, a menor, se desintegrou em 1995 e a Larsen B se desintegrou em 2002. Já a plataforma Larsen C parece estável, mas uma rachadura vem crescendo ameaçando essa estabilidade.

Segundo avaliação de Christopher Shuman, glaciologista da Universidade de Maryland, do Condado de Baltimore e da NASA, as grandes plataformas de gelo agem como barreiras retendo geleiras terrestres atrás delas e a perda destas plataformas aumenta significativamente o ritmo no qual as geleiras fluem para o mar, podendo impactar futuramente o nível dos oceanos.



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