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Terça-feira, 6 jan 2026 - 11h09
Por Maria Clara Machado
Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico atinge níveis recordes em mais de uma década
O que seria uma floração natural de algas está se transformando numa crise ambiental de escala global, com a proliferação cada vez mais crescente e sem precedentes de sargaço numa extensa faixa marrom que se estende do Golfo do México até a África Ocidental.
![]() Imagem aérea da Praia do Atalaia, em Salinópolis, no Pará, tomada pelo sargaço em março de 2025. Crédito: divulgação via Instagram @amo.salinas O Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico começou a ser monitorado por satélites em 2011 e já em 2015 era visivelmente um fenômeno com grande impacto ambiental e de preocupação dos ambientalistas. A quantidade deste tipo de alga atingiu tamanho recorde em 2025, afetando inúmeras comunidades costeiras. A maior preocupação é o acúmulo de excessivo de sargaço nas praias, assim como sua decomposição que libera gases tóxicos e odor forte, afetando diretamente a população local e a fauna, além de impactar o turismo e a pesca artesanal, atividades econômicas essenciais em algumas regiões. Estão nas áreas mais afetadas especialmente o Caribe, as costas da América Central e do Sul. No Brasil, o tapete marrom de algas flutuantes do Atlântico Norte tem aparecido todos os anos em praias do Ceará, do Maranhão e do Pará.
![]() Evolução do Cinturão de Sargaço desde 2011 quando começou a ser mapeado por satélites. Crédito: Optical Oceanography Laboratory Especialistas explicam que o aumento desenfreado do ecossistema ao longo dos anos tem relação direta com o aumento de nutrientes nos oceanos. O despejo maciço de fertilizantes vindo de atividades agrícolas, somado a uma descarga de águas residuais sem tratamento através do rio Amazonas, são apontados como fortes fatores de impacto no crescimento acelerado das algas. Simultaneamente, o desmatamento da Floresta faz com que a capacidade de retenção do solo diminua e as chuvas acabam arrastando grandes quantidades de produtos químicos e sedimentos para o mar. O fluxo de nutrientes encontra as águas quentes do Atlântico e tem ali a condição ideal para se proliferar. Estudos recentes também apontam que há correntes e nutrientes vindos das profundezas dos oceanos, não só o despejo de grandes rios, alimentando o grande Cinturão de Sargaço. O Grande Cinturão de Sargaço costuma ser um problema maior entre o final da primavera e o verão do Hemisfério Norte, de maio a agosto. ![]() Cinturão de Sargaço do Atlântico em abril de 2024. Crédito: Optical Oceanography Laboratory ![]() Cinturão de Sargaço do Atlântico em abril de 2025, ano recorde. Crédito: Optical Oceanography Laboratory Cientistas e pesquisadores apontam que a busca por maneiras mais eficientes e políticas sustentáveis para o descarte dos nutrientes será o caminho para interromper o fluxo crescente das algas. Cada vez mais os países estão gastando maiores esforços na tentativa de minimizar o problema e dar conta da limpeza em grande escala nas praias.
Uma iniciativa sustentável está sendo aplicada na Bahia desde 2023. Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) desenvolveram tijolos à base de sargaço, que já estão sendo testados em concretos mais leves. Mais estudos da USP e da UFScar também desenvolvem técnicas para incorporar o sargaço em painéis e telhas, se tornando um aliado na construção. |
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