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Quinta-feira, 18 jun 2026 - 10h47
Por Maria Clara Machado

Groenlândia está derretendo muito mais rápido e com amplos impactos além do Ártico

Os principais impactos do degelo acelerado na Groenlândia resultante do aquecimento global não estão somente no aumento do nível do mar, mas nas transformações diretas do ecossistema em águas profundas e na crescente ameaça à navegação.

Imagens de satélite contribuem no estudo do acelerado desprendimento dos icebergs na Groenlândia. Crédito: imagem de 2010/NASA
Imagens de satélite contribuem no estudo do acelerado desprendimento dos icebergs na Groenlândia. Crédito: imagem de 2010/NASA

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Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU) e publicado na revista científica Nature, revela que a maior ilha do mundo, formada 80% de gelo, está derretendo muito mais rápido do que previam os cientistas e com grandes impactos.

Número de icebergs é quatro vezes maior do que há 25 anos
O estudo indica que as geleiras da Groenlândia estão liberando quatro vezes mais icebergs do que há 25 anos em razão das mudanças climáticas. A ilha perdeu cerca de 5 mil quilômetros quadrados de gelo nos últimos 40 anos.

Os cientistas explicam que o derretimento acelerado das geleiras, afeta não só as áreas costeiras, mais sujeitas às inundações, mas tem um impacto muito mais amplo para além do Ártico.

A Groenlândia inclui hoje rotas marítimas comerciais globais conectando o Atlântico ao Ártico, embarcações locais de pesca, que abastecem as comunidades costeiras da Ilha, além de cruzeiros turísticos e bases militares, que também já começam a ser impactados.

Segundo os pesquisadores, quando os icebergs se desprendem e se deslocam transportam grande quantidade de rochas e sedimentos por centenas de quilômetros no mar, alterando o ecossistema especialmente no fundo do mar pelo Atlântico Norte.

As pedras afundam e alteram a vida no fundo do mar a quase 2.500 metros abaixo da superfície, explicam os cientistas.

Em quase 40 anos de observações de icebergs no Estreito de Fram, entre a Groenlândia e Svalbard, dados de satélite, modelos de gelo marinho e estudos do fundo do mar mostraram que o número de icebergs quadruplicou desde 2000.

A mudança climática aqueceu o Ártico quatro vezes mais rapidamente do que o restante do mundo e o aumento no nível do mar será inevitável. Os cientistas alertam que o derretimento da camada de gelo da Groenlândia pode elevar o nível do mar em pelo menos 27 cm, considerando o aquecimento já ocorrido.

“O Ártico está respondendo mais rapidamente ao aquecimento global do que a maioria dos outros lugares da Terra. Portanto, é crucial entender a interação entre as calotas polares, o oceano e os ecossistemas. Esse conhecimento é necessário para que possamos prever e gerenciar as consequências das futuras mudanças climáticas”, afirma Shfaqat Abbas Khan, um dos autores do estudo.

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