Quinta-feira, 17 mar 2022 - 15h53
Por Maria Clara Machado

Intenso terremoto no Japão já deixa quase 200 feridos em áreas próximas à Fukushima

Autoridades e a imprensa do Japão atualizaram o número de vítimas e relataram a extensa quantidade de danos causados pelo poderoso terremoto de magnitude 7.3, que abalou várias cidades próximas a costa de Fukushima nesta quarta-feira. Há 11 anos a mesma região foi sacudida pelo terremoto de 9 magnitudes, seguido de um tsunami, que provocam um dos piores acidentes nucleares da história.

Danos em Fukushima causados pelo poderoso terremoto de magnitude 7.3 que atingiu a região na quarta-feira, dia 16. Crédito: Divulgação pelo twitter @TVTSMedia
Danos em Fukushima causados pelo poderoso terremoto de magnitude 7.3 que atingiu a região na quarta-feira, dia 16. Crédito: Divulgação pelo twitter @TVTSMedia

11 províncias registraram feridos e danos
Segundo informações atualizadas pela emissora estatal NHK e bombeiros locais, o número de vítimas do terremoto subiu para 4 mortos e 194 feridos até o final da manhã desta quinta-feira.

Duas vítimas são da província de Fukushima e uma de Miyagi, que sentiram mais forte o abalo e concentram o maior número de feridos. No total, 11 províncias registraram pessoas feridas e os números ainda podem sofrer alterações de acordo com as autoridades.
Ainda segundo as informações locais, desde o evento principal já ocorreram 13 réplicas com intensidade máxima de 4 magnitudes.

O terremoto forçou grandes empresas, incluindo a Toyota, a paralisarem as atividades. Foram diversos setores atingidos por danos entre eles fabricantes de caixas de papelão, fraldas, utensílios domésticos, lojas de conveniência e supermercados.

A montadora Toyota também foi obrigada a suspender as atividades para avaliar os danos e as questões de segurança após o intenso tremor. Possivelmente as operações deverão ficar reduzidas pelo menos este mês.

A Tohoku Electric Power interrompeu a operação da unidade 1 da Usina Térmica de Haramachi, em Fukushima, e da unidade 3 da nova Usina Térmica de Sendai, em Miyagi.

Um trem-bala que estava operando no momento do terremoto descarrilou na província de Miyagi. De acordo com a empresa responsável pela operação do trem, os freios de emergência chegaram a ser acionados quando o trem estava em movimento e o terremoto foi detectado, mas ainda assim 16 vagões de 17 descarrilaram. Apesar do susto, as 78 pessoas a bordo não se feriram.

A Companhia de Energia Elétrica de Tóquio relatou que mais de dois milhões de consumidores ficaram sem energia elétrica e quatro principais operadoras de celular também tiveram os serviços afetados.

Destruição em Fukushima após forte abalo sísmico. No total, 11 províncias registraram feridos. Crédito: Divulgação pelo twitter @TVTSMedia
Destruição em Fukushima após forte abalo sísmico. No total, 11 províncias registraram feridos. Crédito: Divulgação pelo twitter @TVTSMedia

Sobre o terremoto
O intenso terremoto atingiu magnitude 7.3 e teve o epicentro localizado a 57 quilômetros de Namie, na província de Fukushima, na costa leste do Japão, às 14:36UTC do dia 16 (noite no Japão), validado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A profundidade estimada do evento sísmico foi de 63 quilômetros.

Crédito: Painel Global
Crédito: Painel Global

Dez minutos após o forte abalo, um alerta de tsunami chegou a ser disparado pelo Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico (PTWC), mas cerca de uma hora depois a ameaça foi suspensa.
O tremor chegou a acionar automaticamente um alarme de incêndio em uma das usinas nucleares de Fukushima, mas não houve nenhuma ocorrência de fogo.

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Relembre a tragédia nuclear em Fukushima
Em 11 de março de 2011 a região da Usina de Fukushima foi atingida pelo terremoto mais intenso do Japão, que chegou a 9 magnitudes no fundo do Pacífico, seguido de um tsunami, que resultaram em um dos acidentes nucleares mais graves da história.

Cerca de meia hora depois do terremoto as ondas de 10 metros chegaram à costa leste do Japão ultrapassando os muros de proteção, levando tudo pela frente, casas, carros, barcos etc.

Mais de 1 milhão de edificações, milhares de estradas, dezenas de pontos e linhas férreas foram destruídas pelo tsunami e o terremoto. O saldo de mortos no evento chegou a 18 mil pessoas.

A Usina de Fukushima foi castigada por duas grandes ondas, que chegaram a 15 metros de altura, mas a região não estava preparada para isto. Seu muro de proteção chegava a pouco mais de 5 metros e a massa de água invadiu com grande velocidade o subsolo do prédio, onde estavam os geradores.

A partir daí, vários equipamentos importantes para a geração de energia e os geradores pararam de funcionar prejudicando o processo de resfriamento de três reatores que operavam no dia.

Assim que o estado de emergência nuclear foi anunciado começaram às evacuações que atingiram um raio de 20 quilômetros da Usina. No dia seguinte, numa das tentativas de resfriamento dos reatores ocorreu uma poderosa explosão. O derretimento de reatores provocou vazamento de material radioativo por seis dias e foram duas semanas até que os reatores pudessem ficar estáveis novamente.

O acidente nuclear evacuou cerca de 160 mil pessoas e existem áreas próximas à Usina de Fukushima que continuam isoladas até hoje.

Só em 2019, as autoridades permitiram o retorno de 40% dos moradores de Okuma, considerada então segura, depois de quase dez anos de descontaminação radioativa.

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