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Quarta-feira, 7 mai 2025 - 08h38
Por Maria Clara Machado

Jornada do maior iceberg do mundo está chegando ao fim após quase 40 anos

Os cientistas monitoram com atenção o destino final do gigantesco bloco de gelo desde que se aproximou da ilha britânica Geórgia do Sul no final de janeiro. O A23a, o maior iceberg do mundo, poderia representar uma grande ameaça ao ecossistema da ilha, no entanto, começou a dar sinais de desintegração nas últimas semanas.

Imagem mostra em detalhe pequenos blocos de gelo se desprendendo ao norte do iceberg A23a no início de abril de 2025. Crédito: Sentinel-3/ESA
Imagem mostra em detalhe pequenos blocos de gelo se desprendendo ao norte do iceberg A23a no início de abril de 2025. Crédito: Sentinel-3/ESA

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Uma imagem capturada pelo satélite Copernicus Sentinel-3 da Agência Espacial Europeia (ESA) revelou que o iceberg A23a começou a dar sinais de desintegração durante o mês de abril. A ESA publicou essas informações na última sexta-feira, dia 2 de maio.

A massa de gelo se encontrava parada no fundo do mar a 73 quilômetros da Geórgia do Sul quando foi capturada pelo satélite no dia 5 de abril. A partir daí vários blocos menores já começaram a ser visíveis boiando ao norte do iceberg, em contraste com o oceano azul marinho, indicando o processo de desintegração do gigante.

O satélite estimou a área do enorme bloco A23a em 3460 quilômetros quadrados, quase a dimensão da própria ilha, que tem 3528 quilômetros quadrados.

O maior iceberg do mundo chegou a ter 3900 quilômetros quadrados e perdeu parte do gelo em sua longa jornada de mais de dois mil quilômetros até chegar ao Atlântico Sul.

Quando icebergs alcançam essa região do Atlântico e encontram temperatura da água do mar mais alta, normalmente se partem em menores blocos.

Mas, os cientistas monitoravam de perto e com apreensão a jornada do A23a sem ter certeza do destino final. A maior preocupação é que a aproximação do iceberg de águas rasas da Geórgia do Sul poderia alterar as rotas de alimentação e reprodução, por exemplo, dos milhares de pinguins e focas, além de outros animais marinhos, impactando significativamente o ecossistema da região.

Imagem de satélite mostra a aproximação do iceberg A23a da Geórgia do Sul dia 31 de janeiro. Crédito: Sentinel-3/ ESA
Imagem de satélite mostra a aproximação do iceberg A23a da Geórgia do Sul dia 31 de janeiro. Crédito: Sentinel-3/ ESA

Imagem mostra posição do iceberg A23a a menos de 80 km da Geórgia do Sul em 5 de abril. Crédito: Sentinel-3/ESA
Imagem mostra posição do iceberg A23a a menos de 80 km da Geórgia do Sul em 5 de abril. Crédito: Sentinel-3/ESA

Relembre a trajetória do A23a nas últimas décadas
O iceberg se desprendeu da Plataforma de gelo Filchner-Ronne, ao sul do Mar de Weddell, na Antártida, em 1986 e ficou preso no fundo mar por 30 anos, antes de iniciar a sua jornada rumo ao Atlântico Sul.

Teve um rápido progresso a partir de 2020, levado pelas correntes oceânicas em direção ao norte, mas passou oito meses quase parado, girando em uma coluna de águas profundas em 2024.

Quando começou a se movimentar novamente no ano passado, passou a chamar a atenção dos cientistas à medida que seguia em direção ao sul da ilha Geórgia do Sul, berço de vida selvagem no Atlântico Sul.

Trajeto percorrido pelo iceberg A23a entre 2022 e 2023. Crédito: Public Domain, https://en.wikipedia.org/w/index.php?curid=75482941
Trajeto percorrido pelo iceberg A23a entre 2022 e 2023. Crédito: Public Domain, https://en.wikipedia.org/w/index.php?curid=75482941

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