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Quinta-feira, 26 fev 2026 - 10h14
Por Maria Clara Machado

Juiz de Fora soma mais de 700 mm de chuva e buscas por desaparecidos continuam

A chuva continua volumosa em Juiz de Fora e voltou a provocar inundações em ruas e estabelecimentos, além de mais desabamentos de imóveis na noite de ontem. Os trabalhos de buscas por desaparecidos nos deslizamentos na cidade entraram no terceiro dia e o número de mortes passou de 50, em atualização da Defesa Civil. (Confira as atualizações de vítimas no final do artigo).

Soldados do Corpo de Bombeiros fazem busca de pessoas em escombros de casas soterradas após fortes chuvas em Juiz de Fora. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Fotos Públicas
Soldados do Corpo de Bombeiros fazem busca de pessoas em escombros de casas soterradas após fortes chuvas em Juiz de Fora. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Fotos Públicas

A chuva forte das últimas doze horas acumulou mais de 100 mm em Juiz de Fora. Foram 90 mm em uma hora, o que fez o leito do córrego Humaitá subir e mais oito casas desabarem na zona norte, em uma área de risco já monitorada pela Defesa Civil.

O número total de mortos subiu para 51 com duas pessoas encontradas sem vida na madrugada e manhã desta quinta-feira, dia 26. 45 vítimas são de Juiz de Fora e 6 de Ubá, município mineiro vizinho.

As buscas do Corpo de Bombeiros ainda por 16 desaparecidos contam com a ajuda de cães farejadores nos barrancos que cederam completamente em razão do solo encharcado. Segundo a Defesa Civil, são mais de 3500 desabrigados e desalojados.

Resgate de pessoas em escombros de casas soterradas por lama após fortes chuvas em Juiz de Fora. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Fotos Públicas
Resgate de pessoas em escombros de casas soterradas por lama após fortes chuvas em Juiz de Fora. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Fotos Públicas

Ubá também foi bastante castigada pela chuva entre a segunda-feira e a terça-feira, dias 23 e 24. O rio principal subiu 8 metros e as águas tomaram conta da região, espalhando muita destruição e lama. Segundo a prefeitura, os trabalhos de limpeza e retirada dos entulhos continuam nesta quarta-feira.

Chuvas fortes em Juiz de Fora e Ubá na zona da mata de Minas Gerais deixaram mortos e feridos. Crédito: RS via Fotos Publicas
Chuvas fortes em Juiz de Fora e Ubá na zona da mata de Minas Gerais deixaram mortos e feridos. Crédito: RS via Fotos Publicas

Tragédia Climática
Juiz de Fora e Ubá, localizados na zona da mata mineira, enfrentam uma das piores tragédias climáticas da história na região.

De acordo com a Defesa Civil de Juiz de Fora, o acumulado total de chuva atingiu 733 mm do começo do mês até o dia 25. O volume é 4 vezes a média mensal de fevereiro, o que faz de fevereiro de 2026 o mais chuvoso da história de Juiz de Fora. Foram mais de 1200 ocorrências notificadas pela Defesa Civil somente na segunda-feira.

Ubá, que decretou calamidade pública, registrou no pico da chuva o volume de 170 mm em três horas na segunda-feira. De acordo com a prefeitura, o cenário desolador e de “guerra” nunca tinha sido vivenciado dessa maneira pelos moradores.

Mais profissionais especialistas em reconstrução e ajuda humanitária devem chegar a Juiz de Fora e Ubá. Crédito: foto RS via Fotos Publicas
Mais profissionais especialistas em reconstrução e ajuda humanitária devem chegar a Juiz de Fora e Ubá. Crédito: foto RS via Fotos Publicas

Por que tanta chuva?
Alguns sistemas meteorológicos vêm atuando sobre o leste de Minas Gerais e intensificaram as condições de chuva.

As condições severas de tempo somadas a um relevo característico montanhoso de Juiz de Fora e a uma temperatura da superfície da água do mar de 2°C a 3°C mais quente que o normal, também explica a enorme quantidade de precipitação em pouquíssimo tempo em mais este evento extremo de clima, ressaltam os especialistas.

A cidade é cercada por morros e serras, uma geografia que favorece a concentração das nuvens de chuva sob a atuação de sistemas meteorológicos intensos.

Um corredor de umidade se formou entre o Sudeste e o Norte do Brasil com a presença de uma frente fria no fim de semana, mantendo as áreas de instabilidade e o risco de chuva forte por vários dias.

A situação continua perigosa, agora, com a presença de uma baixa pressão no mar, o que ajuda a provocar mais chuva forte, explicam os meteorologistas.

A Defesa Civil de Minas Gerais alerta para o risco de novos deslizamentos na zona da mata mineira por conta do solo muito encharcado.

No contexto das mudanças climáticas em que os eventos extremos estão se tornando mais frequentes e intensos, Juiz Fora merece atenção redobrada.

O município está no ranking nacional da nona cidade com o maior número de moradores vivendo em áreas de risco de deslizamentos e enchentes, o equivalente a 23,7% da população, segundo levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Moradores buscam familiares desaparescidos na tragédia de Juiz de Fora e região. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Fotos Públicas
Moradores buscam familiares desaparescidos na tragédia de Juiz de Fora e região. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Fotos Públicas

**ATUALIZAÇÃO: No quarto dia pelas buscas aos desparecidos na tragédia climática em Juiz de Fora e Ubá mais duas pessoas foram encontradas sem vida, elevando o total de mortes para 64 (58 em Juiz de Fora e 6 em Ubá) até a manhã desta sexta-feira, dia 27.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que as buscas foram encerradas no dia 2 de março, totalizando 72 mortos, sendo 65 em Juiz de Fora e sete em Ubá.

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