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Segunda-feira, 17 jun 2024 - 09h32
Por Maria Clara Machado

NOAA declara fim do El Niño e chances aumentam para a volta do La Niña em breve

O El Niño não está mais configurado nas águas do oceano Pacífico central e leste e dá lugar agora à condição de neutralidade, segundo as atualizações da NOAA em seu último boletim. As chances são altas para o retorno do La Niña já a partir do próximo trimestre.

Mapa mostra a anomalia da superfície do mar (TSM) em 5 de junho, indicando resfriamento no Pacífico equatorial. Crédito: NOAA
Mapa mostra a anomalia da superfície do mar (TSM) em 5 de junho, indicando resfriamento no Pacífico equatorial. Crédito: NOAA

La Niña está próximo
O prognóstico divulgado pela equipe de previsores da NOAA em 13 de junho indica 65% de chance do fenômeno La Niña se desenvolver entre julho e setembro e de 85% de persistir durante o verão 2024/2025 no hemisfério Sul (inverno, no hemisfério Norte), abrangendo os meses de novembro à janeiro.

As condições de neutralidade no Pacífico já começaram a ser observadas no mês passado, com as temperaturas da superfície do mar caindo quase abaixo da média no leste equatorial.

As temperaturas subterrâneas abaixo da média continuaram inalteradas no mês passado, com anomalias negativas persistindo na metade oriental do Pacífico.

A NOAA também observa outros parâmetros como ventos em baixos e altos níveis da atmosfera, além de convecções, que refletem a condição de neutralidade do Pacífico, ou seja, sem a influência no momento, dos fenômenos El Niño ou La Niña.

Gráfico indica grande chance do fenômeno La Niña influenciar o clima global nos próximos meses. Crédito: NOAA
Gráfico indica grande chance do fenômeno La Niña influenciar o clima global nos próximos meses. Crédito: NOAA

O que vai mudar no clima no Brasil com a volta do La Niña?
O retorno do fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento abaixo da média nas águas do Pacífico tropical e equatorial, reflete em mudanças no regime de chuvas e de temperaturas no Brasil.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), sinaliza que a volta do La Niña poderá aumentar o risco de seca em algumas partes do Brasil.

A sequência de chuvas volumosas no Sul, e especialmente no Rio Grande do Sul, deve dar lugar às chuvas abaixo da média histórica, principalmente na primavera.

Diversos municípios da Região Sul poderão enfrentar quadros de seca, aumento no risco de incêndios e prejuízos na agricultura.

O agravamento da falta de chuva, que já está sendo observada no outono em parte das Regiões Centro-Oeste e Sudeste, deve continuar. Há uma preocupação, em particular, com o bioma Pantanal, que já está enfrentando precocemente aumento de graves incêndios.

Satélites monitoram situação crítica de incêndios precoces e intensos no Pantanal

Por outro lado, há a tendência de chuvas acima da média para o Norte e Nordeste, em épocas de La Niña, o que dará condições para aumentar o nível dos rios e dos reservatórios, mas também aumentar os episódios de inundações e deslizamentos de terra, segundo os climatologistas.

O La Niña mais recente que influenciou o clima global, foi o tríplice La Niña, que ocorreu entre julho de 2020 e fevereiro de 2023.


Você também pode se interessar em ouvir o Podcast O que vai acontecer no clima do BR com a volta do La Niña?



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