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Quarta-feira, 5 mar 2025 - 18h26
Por Maria Clara Machado

O maior iceberg do mundo está parado em águas da Geórgia do Sul

O A23a, atualmente o maior iceberg do mundo, está em águas rasas muito perto da ilha remota Geórgia do Sul, território britânico, e vem sendo acompanhado incansavelmente pelos cientistas. Imagens de satélite ajudam a monitorar o gigante e mostram sua localização.

Imagem de satélite mostra detalhe do iceberg A23a no Atlântico Sul. Crédito: Worldview/NASA
Imagem de satélite mostra detalhe do iceberg A23a no Atlântico Sul. Crédito: Worldview/NASA


O gigante encalhou
Uma imagem de satélite gerada pelo Worldview, da NASA, mostra com clareza o iceberg A23a, próximo à costa sudoeste da ilha Geórgia do Sul, no dia primeiro de março. Atualmente está com 300 metros de altura e uma área total estimada em 3.234 quilômetros quadrados.

Iceberg A23a no dia primeiro de março. Crédito: Worldview/NASA
Iceberg A23a no dia primeiro de março. Crédito: Worldview/NASA

Outra imagem menos definida, por conta da grande quantidade de nuvens, revela que o A23a está a cerca de 100 quilômetros da ponta oeste da Ilha nesta quarta-feira, dia 5 de março.

Iceberg A23a no dia 5 de março, a cerca de 100 km da Geórgia do Sul. Crédito: Worldview/NASA
Iceberg A23a no dia 5 de março, a cerca de 100 km da Geórgia do Sul. Crédito: Worldview/NASA

Algumas preocupações envolvem a aproximação do iceberg da Ilha. Com o tamanho maior que duas vezes a cidade de São Paulo, o A23a pode ter um grande impacto no ecossistema da Geórgia do Sul, santuário de milhões de pinguins, focas, leões marinhos e outras espécies.

Grandes pedaços de gelo na região poderão afetar as rotas de alimentação das espécies. Por outro lado, os cientistas destacam que enormes quantidades de nutrientes retidas no gelo serão liberadas no oceano quando o bloco ou os blocos começarem a derreter.

"É como lançar uma bomba de nutrientes no meio de um deserto vazio", declarou Nadine Johnston, do British Antarctic Survey (BAS), que monitora os icebergs da Antártida.

Outra preocupação é que sua fragmentação poderá ameaçar o deslocamento de embarcações às áreas de pesca locais, que têm início da temporada em abril.

Cientistas trabalham com a ideia de que o iceberg vai começar a se desintegrar em pedaços ali mesmo, na costa sudoeste da Geórgia do Sul.

Primeiros impactos
Os cientistas explicam que o iceberg está se deteriorando e a expectativa é que as marés o levem para cima e para baixo até tocar a plataforma continental, o que deve causar erosão de rocha e de gelo.

No momento onde a placa de gelo está raspando o fundo do mar, há milhares de criaturas minúsculas, como corais, lesmas e esponjas do mar, que estão sendo impactadas.

Em relação aos pinguins, algumas espécies se alimentam na plataforma onde o iceberg está encalhado e isso também é uma grande preocupação. O iceberg derrete a água doce na água salgada, reduzindo a quantidade de krill, um pequeno crustáceo, base de alimentação dos pinguins.

Apesar de tantas preocupações e dúvidas, os estudiosos em campo ressaltam que os icebergs são um enorme fluxo de nutrientes do gelo da Antártida ao redor do planeta. Partículas e nutrientes do mundo todo ficam retidos no gelo e são liberados aos poucos para o oceano.

Relembre a trajetória do A23a
O iceberg se desprendeu da Plataforma de gelo Filchner-Ronne, ao sul do Mar de Weddell, na Antártida, em 1986 e ficou preso no fundo mar por 30 anos, antes de iniciar a sua jornada rumo ao Atlântico.

Teve um rápido progresso a partir de 2020, mas passou oito meses quase parado, girando em uma coluna de águas profundas em 2024.

Trajeto percorrido pelo iceberg A23a entre 2022 e 2023. Crédito: Public Domain, https://en.wikipedia.org/w/index.php?curid=75482941
Trajeto percorrido pelo iceberg A23a entre 2022 e 2023. Crédito: Public Domain, https://en.wikipedia.org/w/index.php?curid=75482941

Quando começou a se movimentar novamente, passou a chamar a atenção dos cientistas à medida que seguia em direção ao sul da Ilha Geórgia do Sul.

Há um mês o A23a estava a 330 quilômetros da ponta oeste da Geórgia do Sul e agora, sua proximidade é iminente, como revelaram as últimas imagens de satélite.

"É muito surpreendente ver que o A23a durou tanto tempo, e perdeu apenas cerca de um quarto da sua área", declarou em entrevista à imprensa internacional Huw Griffiths, que está no navio de pesquisa polar RRS Sir David Attenborough, atualmente na Antártida.

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