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Quinta-feira, 16 abr 2026 - 15h29
Por Maria Clara Machado

Os novos Sismógrafos de Gelo são os mais profundos e isolados da Terra

Cientistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) em parceria com importantes Observatórios realizaram a instalação de dois novos sismógrafos a mais de dois mil metros abaixo da superfície da calota polar do Polo Sul. São os sismômetros mais profundos e isolados de monitoramento da Terra já existentes.

Sismômetro sendo baixado a 2,5 km no gelo sob o Polo Sul em janeiro. Crédito: divulgação via Instagram icecube neutrino<BR>
Sismômetro sendo baixado a 2,5 km no gelo sob o Polo Sul em janeiro. Crédito: divulgação via Instagram icecube_neutrino

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Além do Observatório Sismológico de Albuquerque do USGS, participam do projeto o Observatório de Neutrino IceCube, ligado à Universidade de Wisconsin-Madison, localizado na Antártida, e a Fundação Nacional de Ciência (NSF).

Segundo os pesquisadores, o projeto é vanguardista na pesquisa geofísica e vem oferecendo raras oportunidades de observações mais profundas e remotas do nosso planeta.

Inovação tecnológica
Os novos sismógrafos instalados a 2400 metros abaixo da superfície integram a Rede Sismográfica Global do USGS, ajudando a medir a intensidade dos terremotos globais acima de 5 magnitudes, apoiando os alertas de tsunami e monitorando testes nucleares.

A localização não é à toa. Segundo os cientistas, os aparelhos foram projetados para suportar o frio e pressão extremos e estão em um dos ambientes mais silenciosos da Terra, onde até os sinais sísmicos mais sutis são percebidos com uma clareza sem precedentes.

Para a instalação, os pesquisadores abriram dois buracos de 2500 metros de profundidade no gelo com a ajuda de jatos de água quente. Após o posicionamento exato, os aparelhos ficaram presos, assim que a água congelou.

Observatório Neutrino Iceclube em operação há 15 anos na Antártida. Crédito: Alicia Fattorini, IceCube/NSF
Observatório Neutrino Iceclube em operação há 15 anos na Antártida. Crédito: Alicia Fattorini, IceCube/NSF

Os pesquisadores estão otimistas e veem na novidade grandes possibilidades de estudos do movimento do gelo, da sismicidade global e da estrutura profunda da Terra.

“É um projeto simplesmente incrível”, afirmou Samantha Hansen, sismóloga da Universidade do Alabama. “Você está isolando esses instrumentos de tudo no ambiente, a tal ponto que está realmente ouvindo a Terra”, completa a pesquisadora.

Normalmente, diversos ruídos existentes no ambiente, como vento, ondas oceânicas, tráfego de veículos, até debandadas de animais, precisam ser filtrados pelos sismólogos no dia a dia.

Com muita comemoração entre os cientistas do projeto Sismômetro de Gelo Profundo, os aparelhos começaram a emitir sinais de atividade em janeiro, detectando o primeiro sismo significativo de magnitude 6,1 em Okinawa, no Japão.

Outra aposta é que os sismômetros altamente sensíveis consigam capturar rangidos e estalos da camada de gelo da Antártida, contribuindo com dados importantes de velocidade do degelo marinho e da elevação do nível do mar.

Saiba como nasceu o Projeto Sismômetro de Gelo
Existe outro sismômetro instalado no Polo Sul, a 300 metros abaixo da superfície desde 2002, mas já está ficando ultrapassado.

Foi quando nos anos 2000, o USGS começou a estudar a ideia um sismômetro mais profundo, a partir da construção do Observatório de Neutrinos IceCube no Polo Sul e de uma série de sensores que foram instalados em 86 poços com a missão de detectar partículas do universo distante.

Equipe de pesquisadores trabalham no desenvolvimento de um sismômetro em Wisconsin. Crédito: Taylor Wolfram/UW Madison
Equipe de pesquisadores trabalham no desenvolvimento de um sismômetro em Wisconsin. Crédito: Taylor Wolfram/UW Madison

Mas, o projeto do Sismômetro de Gelo profundo não foi aprovado de imediato devido o alto custo envolvido. Apenas em 2020, o Observatório de Neutrino resolveu participar da oportunidade. É toda uma engenharia complexa, que exige diversos ajustes para obter os dados vindos de uma profundidade como essa e gelada.

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