Terça-feira, 31 ago 2021 - 19h11
Por Maria Clara Machado

Paralisação da Hidrovia Tietê-Paraná ocorre 7 anos após crise hídrica de 2014

A crise hídrica de 2021 vem se agravando na Região Sudeste nos últimos meses e o nível crítico de muitos rios e reservatórios continua preocupante. A forte estiagem obrigou o transporte de cargas na Hidrovia Tietê-Paraná, na região do porto intermodal de Pederneiras, ser totalmente suspenso na última sexta-feira, algo que ocorreu pela última vez em 2014.

Imagem da Hidrovia Tietê-Paraná que teve o transporte de cargas suspenso no último deia 27. Crédito: Imagem de divulgação.
Imagem da Hidrovia Tietê-Paraná que teve o transporte de cargas suspenso no último deia 27. Crédito: Imagem de divulgação.

Durante a crise hídrica de 2014, a hidrovia chegou a ficar inoperante por dois anos e a situação se repete em razão do baixíssimo nível do Rio Tietê, em São Paulo, e das usinas hidrelétricas da região. O rio Tietê está no nível mínimo com 2,20 metros de profundidade e 90% das barcaças já estavam sem condições de navegação. As 10% restantes vinham navegando com cerca de um terço da carga reduzida.

A hidrovia Tietê-Paraná é uma das mais importantes do país, pois transporta a safra de grãos do Centro-Oeste para Pederneiras (SP) e na sequência a carga segue de trem para o Porto de Santos.

Crise hídrica e energética se agrava
Com níveis críticos e históricos de capacidade de geração das principais bacias que compõe o Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico já sinalizava, no final de maio, que a decisão de paralisar a hidrovia Tietê-Paraná poderia ocorrer.

Especialistas explicam que a usina hidrelétrica de Nova Avanhandava é capaz de provocar as chamadas ondas de vazão liberando mais água para a hidrovia Tietê-Paraná possibilitando seu funcionamento parcial, mas esta opção também precisou ser descartada para a economia de água para a geração de energia.

Sendo assim, o setor aquaviário começa a acumular mais prejuízos principalmente na produção agrícola e novos impactos são esperados nos produtos. Analistas afirmam que produtores e empresas deverão acumular perdas em torno de R$ 3 bilhões de reais. Até que a estiagem acabe e o nível do Tietê volte a se recuperar, as empresas terão que realizar o transporte das cargas por rodovias até Santos.

A capacidade dos Subsistemas geradores de energia hidrelétrica no país também só cai e os reajustes na conta de luz continuam. O governo federal anunciou um novo reajuste de quase 7% sobre as contas atuais com a criação da bandeira de escassez hídrica nesta terça-feira, dia 31.

Dados atualizados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam capacidade de apenas 21,57% dos Subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, de 28,07% do Subsistema Sul, de 49,46% do Subsistema Nordeste e de 70,56% do Subsistema Norte no dia 30 de agosto.

Acompanhe aqui a evolução quinzenal dos Subsistemas geradores de energia hidrelétrica no Brasil

A curva permanece em queda sem uma perspectiva de melhora pelo menos até o retorno das chuvas volumosas sobre os principais reservatórios, o que só deve ocorrer a partir da primavera se as previsões de clima forem favoráveis.



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