Quarta-feira, 30 mar 2022 - 14h59
Por Maria Clara Machado

Plataforma flutuante de gelo se despedaça completamente na Antártida Oriental

Uma plataforma de gelo localizada na Antártida Oriental se desintegrou completamente em apenas um mês remodelando a parte costeira da região, onde o gelo glacial era considerado estável no passado. O evento tem relação como o mesmo fenômeno, que há poucos dias provocou uma onda de calor sem precedentes na parte leste do continente.

Imagem de satélite do dia 23 de março mostra a plataforma flutuante das geleiras Glenzer e Conger, na Antártida Oriental, totalmente despedaçada. Crédito: NASA
Imagem de satélite do dia 23 de março mostra a plataforma flutuante das geleiras Glenzer e Conger, na Antártida Oriental, totalmente despedaçada. Crédito: NASA

Tudo foi assustadoramente rápido e pode ser observado em detalhes por imagens de satélite capturadas pela NASA e pela ESA nas últimas semanas.

Não é estranho que as plataformas de gelo na Antártida gerem icebergs. São dezenas deles que se formam todos os anos e catalogados e acompanhados pelo Centro Nacional de Gelo dos Estados Unidos (USNIC), que nomeia os grandes blocos de gelo que ficam à deriva.

O inusitado foi uma plataforma inteira se desintegrar completamente num curto período de tempo.

Segundo explicações dos especialistas, há dois anos a plataforma já vinha perdendo gelo naturalmente a uma taxa média de cerca de um quilômetro quadrado por dia. São pedaços de gelo que estão presos às bordas da prateleira.

Uma sequência de imagens adquiridas pelos satélites Terra e Aqua, da NASA, revela o que aconteceu nas últimas semanas. Em 22 de fevereiro, a plataforma flutuante, que era alimentada pelas geleiras Glenzer e Conger, no Mar de Mawson, ainda estava inteira.

Mas no início de março de 2022, a plataforma em frente ao Glaciar Glenzer deu origem a um iceberg principal, o C-37, que mediu inicialmente 144 quilômetros quadrados. A partir daí, em poucos dias, a perda substancial de gelo fez com que a plataforma se rompesse e se desligasse na Ilha de Bowman. Após o colapso final, surgiu outro iceberg, o C-38, medindo 415 quilômetros quadrados. Em 21 de março, várias partes de gelo se dispersaram.

Sequência de imagens de satélite mostram o completo colpaso da plataforma de gelo, na região da Ilha Bowman, na Antártida Oriental. Crédito: NASA
Sequência de imagens de satélite mostram o completo colpaso da plataforma de gelo, na região da Ilha Bowman, na Antártida Oriental. Crédito: NASA

“Tudo desabou em apenas duas semanas”, declarou Christopher Shuman, glaciologista do Goddard Space Flight Center, da NASA.

Os restos de gelo da plataforma flutuante e do gelo marinho próximo se dispersaram nas águas ao redor da Ilha Bowman nos dias seguintes. “Tudo isso levou menos de um mês. Foi um grande estouro”, afirmou Shuman.

Outras imagens de satélite capturadas pelo Landsat8, da NASA, comparam as paisagens da região antes e depois do colapso da plataforma flutuante:

Imagem de satélite do dia 9 de janeiro mostra a plataforma ainda inteira. Crédito: NASA
Imagem de satélite do dia 9 de janeiro mostra a plataforma ainda inteira. Crédito: NASA

Imagem de satélite do dia 23 de março mostra a plataforma totalmente despedaçada. Crédito: NASA
Imagem de satélite do dia 23 de março mostra a plataforma totalmente despedaçada. Crédito: NASA

A imagem de satélite do Sentinel1, da Agência Espacial Europeia (ESA), também revela com detalhes os dois icebergs, C-37 e C-38, em torno da Ilha Bowman, assim como os inúmeros blocos de gelo menores resultantes da ruptura da plataforma no dia 17 de março:

Os icebergs C-37 e C-38 e inúmeros pedaços de gelo são visíveis na imagem do dia 17 de março. Crédito: ESA
Os icebergs C-37 e C-38 e inúmeros pedaços de gelo são visíveis na imagem do dia 17 de março. Crédito: ESA

O que aconteceu?
É curioso saber, que o mesmo rio atmosférico, fenômeno que foi capaz de disparar as temperaturas na parte leste do continente antártico em meados de março, parece também ter sido o responsável por desencadear o colapso final da plataforma.

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Estudiosos afirmam que foram diversos fatores que contribuíram para que a plataforma se desintegrasse tão rapidamente. O rio atmosférico observado na ocasião, também aumentou as ondas e amplificou os ventos perto da plataforma, que já estava vulnerável.

A perda de uma plataforma de gelo é visto como algo problemático porque pode contribuir para a elevação do nível do mar. “As plataformas flutuantes, ou as chamadas prateleiras, são como uma faixa de segurança, que segura o resto do manto de gelo da Antártida”, ressalta a cientista Catherine Walker, da Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), em Massachusetts.

Este evento isolado foi relativamente pequeno e os impactos imediatos devem também ser mínimos, porém chamou a atenção dos cientistas, a localização do colapso. “Todos os outros colapsos anteriores aconteceram na Antártida Ocidental e não da parte Oriental, até então considerada relativamente estável”, declarou Walker.



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