Quarta-feira, 27 abr 2022 - 11h15
Por Maria Clara Machado

Provável ilha de gelo surge na costa leste da Antártida

Uma provável ilha de gelo, ainda sem nome, está atraindo os olhares dos pesquisadores na costa leste da Antártida. Compreender sua formação é um desafio num lugar tão remoto do planeta e as imagens e dados gerados por satélite têm papel fundamental nesta descoberta.

Imagem de satélite revela a possível ilha de gelo formada a partir do derretimento da plataforma flutuante Glenzer e Conger, no leste da Antártida. Crédito: NASA
Imagem de satélite revela a possível ilha de gelo formada a partir do derretimento da plataforma flutuante Glenzer e Conger, no leste da Antártida. Crédito: NASA

Ao longo de três décadas a costa leste da Antártida perdeu grande parte do gelo glacial da plataforma Glenzer e Conger e durante esta transformação uma massa branca, provavelmente uma ilha de gelo, se destacou na região.

Ilha ou iceberg?
O surgimento da ilha de gelo sem nome pode ser vista nas imagens em cores naturais captadas pelo satélite Landsat, da NASA, em 1989, em 2001 e em 9 de janeiro de 2022.

Sequência de imagens de satélite da NASA mostra uma possível ilha de gelo, ainda sem nome, que apareceu na costa leste da Antártida. Crédito: NASA
Sequência de imagens de satélite da NASA mostra uma possível ilha de gelo, ainda sem nome, que apareceu na costa leste da Antártida. Crédito: NASA

A massa branca, vista do espaço como uma bolinha se manteve intacta mesmo após o desprendimento da plataforma quando possivelmente icebergs se colidiram ao mesmo tempo em que o gelo marinho ao seu redor aumentou e diminuiu naturalmente.

Com dados gerados pelo satélite ICESat-2, da NASA, foi possível concluir que há pelo menos de 30 a 35 metros de massa de gelo acima da superfície do mar.

Ainda existem dúvidas sobre o que há por baixo de toda neve e gelo. Cientistas acreditam que a pesada camada de gelo possa estar assentada sobre um pico subaquático e desta maneira, seria semelhante à formação de outras ilhas de gelo.

Os estudiosos explicam que a própria ilha se sustenta como ilha, ou seja, a neve e o gelo acumulados em sua superfície se equilibram em relação à quantidade de gelo derretido debaixo d’água.

Se por algum motivo, este ponto de equilíbrio for interrompido, com a diminuição da queda de neve, por exemplo, a ilha pode se desprender passando a flutuar. A massa de gelo deixa de ter característica de ilha para se tornar um iceberg à deriva, explicam os pesquisadores.

Descobertas
Esta não é a única ilha descoberta. Uma séria de ilhas expostas vem surgindo nos últimos anos à medida que o gelo glacial flutuante se desintegra da borda do continente antártico.

Em 2019, o Conselho de Nomes Geográficos dos EUA nomeou a Ilha Quebra-gelo, que em 1996 ficou isolada da plataforma Larsen B, na Península Antártica.

Há dois anos pesquisadores em uma expedição também descobriram uma pequena ilha rochosa coberta de gelo que pode ter nascido a partir da plataforma da geleira Pine Island.

O encolhimento do gelo glacial e marinho na Antártida deve gerar mais descobertas de ilhas nos próximos anos. As imagens de satélite e outros recursos são determinantes e ajudam no processo de mapeamento minucioso das margens do continente.

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