Terça-feira, 15 mar 2022 - 10h04
Por Maria Clara Machado

Satélites mapeiam milhares de possíveis áreas com meteoritos na Antártida

Uma equipe de cientistas da Université libre de Bruxelas, na Bélgica, está comemorando as recentes descobertas feitas com ajuda de amplos dados de satélites. Os estudiosos conseguiram mapear cerca de 300 mil possíveis meteoritos no topo do gelo do continente antártico aguardando para serem descobertos.

Cerca de 300 mil meteoritos aguardam para serem descobertos e estudados pelos cientistas na Antártida. Crédito: NASA
Cerca de 300 mil meteoritos aguardam para serem descobertos e estudados pelos cientistas na Antártida. Crédito: NASA

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Desde a descoberta do primeiro meteorito no continente antártico em 5 de dezembro de 2012, os cientistas já encontraram e retiraram mais de 45 mil rochas que vieram do espaço e impactaram a enorme massa de gelo.

Adelie Land é o nome do primeiro meteorito descoberto por Francis Howard Bickerton. O fragmento encontrado há mais de 100 anos pesa aproximadamente 1 quilograma.

As descobertas ao longo do século XX e início do século XXI possibilitam aos cientistas cada vez mais entender a composição do nosso sistema solar e seu surgimento.

Agulha no palheiro
Os estudiosos vêm buscando por meteoritos na Antártida por décadas porque consideram que a região oferece diversas vantagens. Como o continente é predominantemente formado por gelo, se torna mais fácil visualizar o contraste de áreas com rochas e detectar os meteoritos.

Sabe-se que alguns meteoritos caíram na Terra há mais de 1 milhão de anos.

Ainda assim, procurar por pequenas rochas numa paisagem de 14 milhões de quilômetros quadrados é como procurar agulha no palheiro.

A fim de aumentar as chances das descobertas, os cientistas têm realizado pesquisas em áreas específicas onde se sabe que a geologia local, o fluxo de gelo e as condições climáticas fizeram com que os meteoritos se agregassem à superfície ao longo dos anos. São as chamadas zonas de encalhe de meteoritos, que na maioria das vezes são descobertas por acaso perto de uma estação de pesquisa ou com a ajuda das imagens de satélite que mostram áreas de gelo azul.

São pontos onde a neve cai em uma geleira sem formar uma cobertura profunda, permitindo então, que possíveis meteoritos fiquem expostos à superfície.

Mapa do tesouro
Os estudiosos estão chamando essas áreas de gelo azul de hotspots, em tradução livre, pontos quentes, onde possivelmente possam estar novos meteoritos.

A equipe de cientistas em Bruxelas, na Bélgica, liderada pela glaciologista Veronica Tollenaar, desenvolveu recentemente um mapa de probabilidade de descoberta de meteoritos na Antártida, totalmente baseado em informações de descobertas anteriores combinadas com uma ampla observação por satélites da NASA, da Agência Espacial Canadense, do Serviço Geológico dos Estados Unidos e de fontes comerciais.

São vários fatores combinados para gerar o mapeamento de hotspots, quase como um “mapa do tesouro”.

Mapa elaborado em 22 de fevereiro de 2022 através de amplas observações por satélites mostra os locais onde é alta a probabilidade de se encontrar meteoritos na Antártida. Crédito: Divulgação Earthobservatory/NASA
Mapa elaborado em 22 de fevereiro de 2022 através de amplas observações por satélites mostra os locais onde é alta a probabilidade de se encontrar meteoritos na Antártida. Crédito: Divulgação Earthobservatory/NASA

Ao observar o mapa fica fácil perceber que a alta probabilidade de meteoritos se concentra na periferia do continente próximo às áreas montanhosas, justamente onde o gelo azul é encontrado.

Outros fatores importantes como a temperatura e a velocidade da superfície do gelo também são levados em conta. Tollenaar explica que se as temperaturas forem muito altas, os meteoritos acabam afundando no gelo derretido e desaparecem da superfície, assim como, se o fluxo de gelo for muito rápido os meteoritos são levados para longe da superfície antes mesmo que consiga se acumular em maiores concentrações.

Dados de temperatura gerados pelos satélites Terra e Aqua, da NASA, mostraram que os hotspots de meteoritos estão localizados em áreas propícias de gelo azul em que o frio permanece abaixo de -9°C em 99% do tempo.

Outras áreas de gelo azul “mais quentes” não seriam ricas em meteoritos.

O mapeamento sugere muitas áreas de gelo azul onde a temperatura e a velocidade do gelo parecem favoráveis para áreas com concentrações de meteoritos. Assim, os pesquisadores desenvolveram um índice de onde procurar os meteoritos. São incrivelmente cerca de 300 mil meteoritos para serem descobertos.

Imagem de satélite mostra em detalhes áreas montanhosas e de gelo azul na Antártida, com grande potencial para serem ricas em meteoritos. Crédito: NASA
Imagem de satélite mostra em detalhes áreas montanhosas e de gelo azul na Antártida, com grande potencial para serem ricas em meteoritos. Crédito: NASA

No topo da lista está uma região ainda na inexplorada na cordilheira de Fimbulheimen, localizada a 120 quilômetros da Estação Novolazarevskaya, uma base antártica russa. Uma imagem capturada pelo Landsat8, da NASA, revela o amplo gelo azul em detalhes na região em 27 de fevereiro de 2022.

Algo está intrigando Tollenaar e a equipe de pesquisa. Um hotspots foi localizado nas Montanhas Ellsworth, uma área muito distante de outros locais onde meteoritos foram encontrados anteriormente. Segundo a cientista, isso mostra como os dados de satélites estão ajudando a identificar área potenciais em todo o continente.

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