Terça-feira, 4 mai 2021 - 18h56
Por Maria Clara Machado

Sinal amarelo: Pantanal está sob decreto de emergência ambiental

O sinal amarelo acendeu para o Pantanal diante das condições climáticas desfavoráveis que se agravam de novo este ano em todo o estado de Mato Grosso do Sul. O bioma registrou a pior temporada de incêndios florestais em 2020 e o temor é que um cenário semelhante possa se repetir.

Bombeiros combatem incêndios no pantanal em 2020. Crédito: Arquivo/Divulgação Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul.
Bombeiros combatem incêndios no pantanal em 2020. Crédito: Arquivo/Divulgação Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul.

Emergência ambiental
O governo de Mato Grosso do Sul decretou estado de emergência ambiental por seis meses na última segunda-feira, dia 3, com o objetivo maior de prevenir os graves incêndios florestais como os que se alastram pelo Pantanal no ano passado.

Segundo o que foi divulgado pelo governo, há ações em andamento para avaliar as áreas mais críticas num trabalho integrado com os produtores, as brigadas privadas e Corpo de Bombeiros. Algumas bases avançadas serão permanentes durante o período de maior risco de incêndios. Outras medidas visam o salvamento e o resgate de animais, situação que foi dramática em 2020 atingindo inúmeras espécies do bioma.

Ações práticas, por exemplo, como a evacuação de áreas ameaçadas pelo fogo poderá acontecer.

“O Estado pode nos oferecer toda tecnologia, mas temos que ter homens na área de fogo”, declarou o comandante do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, coronel Djan Leite, durante o lançamento do plano de prevenção e combate aos Incêndios Florestais no Pantanal de Mato Grosso do Sul no dia 29 de abril. “Combater incêndio florestal é tarefa do bombeiro e vamos atuar até as chuvas voltarem”, completou o coronel Djan Leite.

O Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais no Pantanal de Mato Grosso do Sul promete traçar estratégias, preparar equipes, e também reconhecimento das áreas das operações.
O Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais no Pantanal de Mato Grosso do Sul promete traçar estratégias, preparar equipes, e também reconhecimento das áreas das operações.

Escassez de chuva agrava o cenário
O baixo volume de chuva observado no verão depois de um período anterior extremamente seco se reflete no nível dos rios e anuncia uma temporada difícil com relação aos incêndios florestais no próximo inverno.

Segundo o governo do estado, vários fatores relacionados ao clima pesaram na decisão para o decreto emergencial de Mato Grosso do Sul, como temperaturas altas, ventos superiores a 30 km/h, umidade baixa e a previsão de pouca chuva na região do bioma.

O rio Paraguai, no Pantanal, enfrentou uma seca histórica no ano passado e o nível já está preocupante novamente. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o nível do rio Paraguai estava em 1,79 m no início da semana em Ladário e em Corumbá, mas o normal seria 3,42 metros nesta época do ano, período da cheia do rio.

Incêndios no Pantanal foram os piores em 2020 e cenário é preocupante também este ano devido a escassez de chuva. Crédito: Arquivo/Divulgação Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul.
Incêndios no Pantanal foram os piores em 2020 e cenário é preocupante também este ano devido a escassez de chuva. Crédito: Arquivo/Divulgação Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul.

Diante da situação de escassez de chuva, os pesquisadores fazem um alerta para um cenário não muito diferente do ano passado, em que a seca extrema e o calor intenso contribuíram para que os focos de fogo saíssem de controle no Pantanal.

Com a chegada do outono e do inverno, Mato Grosso do Sul e o Pantanal entraram no período normal de estiagem e é pouco provável a subida do nível dos rios a partir de agora, reforçam os pesquisadores.

Com o rio Paraguai atingindo níveis críticos, a Marinha do Brasil é obrigada a restringir a navegação, como já aconteceu em 2020, trazendo forte impacto econômico.

Tão grave quanto, é a seca visível que afeta o bioma em grandes áreas que historicamente deveriam permanecer alagadas, dificultando o combate aos incêndios florestais que acabam se propagando mais rapidamente.

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