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Sábado, 29 ago 2026 - 13h16
Por Maria Clara Machado
Socorristas enfrentam risco de novas inundações com lagos que podem se romper no Nepal
O trabalho de milhares de socorristas no Nepal e no Tibete, após a avalanche colossal que arrasou vilas inteiras ao longo do rio Trishuli, sofre a ameaça de outros lagos que podem se romper a qualquer momento. Um rompimento aconteceu na sexta-feira no lado do Tibete. Imagens de satélite ajudam a compreender o tamanho da devastação.
![]() Avalanche de gelo, rochas e lama desceu rio abaixo no Nepal e Tibete, no maior desastre montanhoso da região. Crédito: reprodução redes sociais/Red Cross Nepal
Entretanto, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) descartou essa possibilidade algumas horas depois do evento. O deslizamento no Nepal ocorreu por volta das 8h30 hora local e as imagens de satélite ajudam a entender a real causa do evento, que veio em forma de uma avalanche colossal de rochas, gelo e lama encosta abaixo. Nas análises mais prováveis, um bloco gigantesco de aproximadamente 600 metros de largura teria se desprendido do topo de uma geleira a cinco mil metros de altitude, levando todo o material de uma vez só encosta abaixo. Na sequência, a própria força das águas do rio da região rompeu a barreira do material represado e tudo desceu em direção às vilas como um tsunami repentino. No caso, a força do desprendimento parcial da geleira é o que pode ter ocasionado a detecção do terremoto do dia 26 pelo USGS. Três dias depois da tragédia, ![]() Crédito: divulgação Serviço Copernicus O Serviço de Gestão de Emergências Copernicus também divulgou um mapa, revelando as áreas impactadas pelo colapso da geleira: ![]() Crédito: divulgação Serviço Copernicus
As autoridades chinesas da região autônoma Tibete, fizeram um alerta na quinta-feira, dia 27, sobre o lago formado na fronteira entre o Nepal e o Tibete após o deslizamento, que corre o risco de um novo rompimento. O volume de água que entra no lago é preocupante e poderá alcançar cerca de 3 milhões de metros cúbicos nos próximos dias por conta das chuvas contínuas que estão ocorrendo na região, elevando o risco de novas inundações. Do lado do Tibete, um enorme acúmulo de água se rompeu na sexta-feira, dia 27, colocando em risco os socorristas que estavam trabalhando na região. Por conta do alerta emitido mais cedo, foi preciso deixar a área.
Os riscos de desprendimento de blocos aumentam e deixam as áreas em torno bastante vulneráveis. A região do Himalaia, na Ásia, também sofre influência das chuvas de monções de verão, que são extremamente volumosas e os deslizamentos são frequentes no período, que se estende normalmente de junho a setembro. De acordo com a Cruz Vermelha, em torno de 93 mil pessoas podem ter sido afetadas de alguma maneira pelo desastre de origem montanhosa no Nepal, o mais letal desde o terremoto de 2015, que resultou na época em 9 mil mortos. Kamal Kishore, Diretor do Escritório da ONU para redução de desastres declarou que “o impacto sobre vidas, meios de subsistência, edifícios, infra-estrutura, pontes, projetos hidrelétricos e de geração de energia é realmente imenso.” |
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