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Sexta-feira, 28 fev 2025 - 11h04
Por Maria Clara Machado

Tailândia testa método de jogar gelo do céu para combater os altos índices de poluição

O governo tenta um método experimental para tentar minimizar a situação extrema da poluição na Tailândia. Os índices perigosos de poluentes atingiram 5 a 10 vezes mais do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na capital Bangkok e afetam a rotina dos 10 milhões de habitantes. Anualmente, mais de um milhão de pessoas adoecem por causa da poluição no país.

Imagem ilustrativa Bangkok em dia de alta concentração de poluição. Crédito: divulgação via X @ThaiPBSWorld
Imagem ilustrativa Bangkok em dia de alta concentração de poluição. Crédito: divulgação via X @ThaiPBSWorld

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Desde o começo de janeiro, a administração de Bangkok incentiva uma política de home office opcional para que os trabalhadores permaneçam em casa à medida do possível.

Mais de 300 escolas foram fechadas e também instalados pontos de controle de emissão de gases dos veículos para testar os carros em determinados locais da metrópole.

O nevoeiro (smog) de partículas poluentes, que se instala sobre a capital tailandesa, mais uma vez alterou rotas de aviões que precisaram ser desviados para outros aeroportos por conta da baixa visibilidade.

Somado a esta realidade, o governo da Tailândia vem realizando testes com aviões desde 2024, que sobrevoam Bangkok despejando gelo seco, ou gelo e água numa tentativa de dispersar a poluição e melhorar a qualidade do ar.

Segundo as autoridades, embora não haja uma comprovação científica, o método experimental e exclusivo desenvolvido pelos tailandeses começa a dar alguns resultados positivos.

Antes e depois de cada voo, as concentrações de partículas são medidas na área em questão para avaliar os resultados na qualidade do ar e o que se tem observado é que a concentração final tem sido menor, de acordo com os técnicos.

Entenda como é o processo de jogar gelo do céu
Os testes feitos pelo “Departamento de Criação de Chuvas”, que já investe há décadas no outro método de semeadura de nuvens, consiste em dois sobrevoos por dia despejando sobre o ar quente grandes sprays de gelo seco, ou uma mistura de água gelada e gelo sobre a camada espessa de poluição próxima à superfície para fazer os poluentes dispersarem na atmosfera.

O processo é diferente da semeadura de nuvens, que utilizam componentes como o iodeto de prata no interior de nuvens para induzir a chuva.

Na nova técnica, a intenção não é exatamente a chuva e sim aumentar as condições para a dispersão da poluição, reduzindo a diferença de temperatura, o que na teoria facilita a liberação das micropartículas PM 2,5 nocivas à saúde.

Vários fatores agravaram a situação na Tailândia, no sudeste asiático, nas últimas semanas. O processo meteorológico da inversão térmica impede a circulação normal dos ventos e uma camada de ar quente parada sobre a região mantém os poluentes “presos” próximos à superfície.

O governo também aponta as emissões dos veículos, a queima de resíduos agrícolas nos arredores e o clima extremo como os vilões. A Tailândia tem seu período mais seco entre os meses de dezembro e abril, quando depois dá lugar à época das grandes tempestades e tufões.

Névoa de poluição cobre a capital Bangkok em 21 de janeiro. Crédito: divulgação via X @NIARCH8
Névoa de poluição cobre a capital Bangkok em 21 de janeiro. Crédito: divulgação via X @NIARCH8

Críticas à ineficácia das ações
Há críticas à eficácia do método tendo em vista que o gelo seco, dióxido de carbono solidificado, é fornecido justamente por grandes empresas petrolíferas da Tailândia, além de ser uma operação de alto custo que pode custar até U$ 1.500 por voo.

Os especialistas em clima ressaltam que o dióxido de carbono (CO2) é o principal gás de efeito estufa e o que mais contribui para o aquecimento global. Assim, as consequências da sua liberação de forma solidificada em grande quantidade ainda não são totalmente conhecidas no meio ambiente e na saúde humana.

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