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Sábado, 18 abr 2026 - 16h02
Por Maria Clara Machado

Um enorme reservatório de magma comparado a supervulcões é descoberto na Itália

Cientistas descobriram algo inusitado sob o solo das montanhas da Toscana, no centro-norte da Itália. Uma área gigantesca de milhares de quilômetros cúbicos de magma, que pode ser comparado ao que é armazenado na crosta média de supervulcões como o Yellowstone, nos Estados Unidos, ou o Toba, na Indonésia.

Imagem ilustrativa Toscana, outubro de 2025. Crédito: divulgação Instagram @passeiosnatoscana
Imagem ilustrativa Toscana, outubro de 2025. Crédito: divulgação Instagram @passeiosnatoscana

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Os grandes sistemas vulcânicos são estudados e acompanhados pela geomorfologia da superfície e os depósitos eruptivos. Entretanto, reconhecer tais vulcões sem evidências visíveis na superfície se torna um grande desafio e os reservatórios de magma podem acabar despercebidos.

A região onde se localiza o monstruoso reservatório de magma na Itália, sem um vulcão na superfície, tem apenas atividades esporádicas, porém através de dados do subsolo identificados por sismômetros, os pesquisadores conseguiram mapear a presença de fluídos supercríticos que podem ultrapassar a temperatura de 500°C em profundidades entre 8 a 15 quilômetros, armazenados na crosta média da Província Magmática Toscana. A região se refere a uma zona geológica no sul da Toscana.

Diferentemente do Yellowstone, não há fontes termais e plumas de enxofre, que evidenciem o sistema subterrâneo.

Os pesquisadores desconfiaram do que estava por vir quando identificaram que o magma liberava CO2 conforme se resfriava, subindo por falhas geológicas até atingir a superfície.

Uma grande rede de sismômetros modelou uma área de 15 quilômetros da crosta da Toscana, e assim, foi possível estimar o tamanho do reservatório aproximado em mais de 5000 metros cúbicos de magma.

Mapa mostra a distribuição das redes sísmicas utilizadas no estudo do reservatório de magma na Toscana. Crédito: Sistema geotérmico de Larderello, Itália.
Mapa mostra a distribuição das redes sísmicas utilizadas no estudo do reservatório de magma na Toscana. Crédito: Sistema geotérmico de Larderello, Itália.

Os estudiosos estão confiantes que esta grande descoberta será de extrema importância para explicar a evolução a longo prazo de sistemas magmáticos maduros, além de compreender o comportamento de grandes províncias magmáticas.

“Sabíamos que a região, que se estende de norte a sul pela Toscana, é geotermalmente ativa, mas não percebíamos que continha um volume tão grande de magma, comparável ao de sistemas supervulcânicos como Yellowstone”, afirmou o geocientista Matteo Lupi, da UNIGE.

Apesar da dimensão da descoberta, não há processos eruptivos associados a este sistema geotérmico na região da Toscana. Ainda não é conclusiva, a razão pela qual a grande quantidade de derretimento de magma nunca deu origem a uma erupção, afirmam os especialistas.

A presença do vasto reservatório pode sim influenciar a sismicidade na região, que já é monitorada constantemente.

A equipe internacional de geocientistas e vulcanologistas que lidera a descoberta é composta por pesquisadores da Universidade de Genebra (UNIGE), na Suíça, do Instituto de Geociências e Recursos Terrestres da Itália e do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália (INGV).

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