Quinta-feira, 21 nov 2019 - 13h13
Por Maria Clara Machado

Fumaça de incêndios na Austrália atravessa o oceano Pacífico

Os graves incêndios florestais que eclodiram na Austrália há cerca de três semanas continuam fora de controle. Dezenas de focos persistem sobre o leste de Nova Gales do Sul e parte de Queensland e a fumaça já atravessou o oceano Pacífico.

Imagem de satélite capturada no dia 19 de novembro pelo AQUA da Nasa. Fumaça dos incêndios florestais da Austrália já atravessou o Pacífico. Crédito: NASA.
Imagem de satélite capturada no dia 19 de novembro pelo AQUA da Nasa. Fumaça dos incêndios florestais da Austrália já atravessou o Pacífico. Crédito: NASA.

Dados atualizados pelas autoridades falam em 49 focos de incêndio no leste e mais 45 focos no sul da Austrália. Toda a região metropolitana de Sydney está tomada pela fumaça. Até o momento são seis vítimas fatais e pelo menos 500 casas destruídas.

O satélite AQUA da NASA capturou imagens em cores naturais da espessa pluma de fumaça subindo de Nova Gales do Sul e Queensland em direção a alta atmosfera. Foram diversas imagens entre os dias 1 e 18 de novembro.

Na imagem acima, do dia 19, o satélite detectou aerossóis e outros poluentes que aparecem esbranquiçados com aspecto esfumaçado atravessando o Pacífico em direção ao Atlântico Sul.

Segundo os pesquisadores, a fumaça dos incêndios na Austrália subiu 13 quilômetros na atmosfera. “Isso é surpreendente para incêndios florestais. Ainda não está claro como a fumaça subiu tão alto e tão rápido”, declarou Mike Fromm, pesquisador de incêndios do Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos.

Picture gerado pelo modelo GEOS-FP mostra o caminho percorrido pela fumaça da costa da Austrália em direção à costa da América do Sul. Crédito: NASA.
Picture gerado pelo modelo GEOS-FP mostra o caminho percorrido pela fumaça da costa da Austrália em direção à costa da América do Sul. Crédito: NASA.

As informações geradas por satélites e aeronaves e outras observações em terra servem de base para modelos climáticos, que conseguem calcular detalhes do que está acontecendo na atmosfera, como por exemplo, a posição e a concentração das plumas de carbono preto a cada três horas. Dados meteorológicos como a temperatura do ar, umidade e ventos também são levados em conta para projetar o comportamento da pluma.

Assim é possível observar o longo caminho de 11 mil quilômetros, que a fumaça percorreu da costa da Austrália até a costa da América do Sul, alcançando áreas da Argentina. O Serviço Meteorológico da Argentina reportou fumaça no país no último dia 15.

Quer saber mais? Assista em nosso canal www.youtube.com/apolochannel o vídeo "Incêndios sem precedentes na Austrália".

Consequências na saúde e no clima
Os pesquisadores explicam que os incêndios florestais, por consumirem muita madeira, vegetação e outros materiais, acabam emitindo diversos gases como monóxido de carbono, dióxido de carbono, hidrocarbonetos, óxidos de nitrogênio e carbono preto.

O carbono preto é um tipo de aerossol que é bastante prejudicial aos seres humanos e animais quando inalado, pois as partículas muito pequenas são capazes de entrar nos pulmões e na corrente sanguínea.

Além disso, quando esses poluentes atingem a atmosfera, os efeitos podem se espalhar pelo oceano e continentes por semanas e meses. Em grande quantidade as plumas de fumaça podem ter impacto no clima.

O carbono preto pode escurecer a neve e o gelo, acelerando o derretimento e os gases podem bloquear a luz solar afetando a formação de nuvens e até reduzindo as chuvas, afirmam os pesquisadores. Em situações específicas, as partículas também podem afetar o transporte aéreo.



Quinta-feira, 12 dez 2019 - 09h56


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