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Terça-feira, 25 out 2022 - 08h52
Por Maria Clara Machado

Cientistas acham microplástico pela primeira vez em bolas de granizo na Eslovênia

Cientistas da Eslovênia detectaram a presença de microplástico em amostras de pedras de granizo, que atingiram o sudeste do país, região central da Europa, em junho de 2019. A descoberta é pioneira no globo. As pesquisas foram conduzidas no decorrer de vários meses em ambiente controlado analisando diversas camadas de gelo.

Granizo de 11 cm de diâmetro registrado em tempestade em 11 de junho de 2019 e posteriormente uilizado em pesquisa. Crédito: Gregor Sneljer. Divulgação twitter @StormchaserUKEU
Granizo de 11 cm de diâmetro registrado em tempestade em 11 de junho de 2019 e posteriormente uilizado em pesquisa. Crédito: Gregor Sneljer. Divulgação twitter @StormchaserUKEU

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Duas tempestades recordes de granizo que atingiram o Vale Poljanska, ao longo do rio Kolpa, impulsionaram a ideia da pesquisa.

O granizo foi tão surpreendente para os moradores locais, que alguns decidiram congelar as pedras maiores. As bolas de granizo examinadas tinham diâmetros de 7, 10, 12 e 13 centímetros. Uma moeda de um real, por exemplo, mede 2,5 cm de diâmetro.

Segundo os pesquisadores, estas foram as maiores pedras de gelo já observadas em uma tempestade de granizo na Eslovênia.

O estudo queria provar que a presença de partículas microscópicas de plástico, invisíveis a olho nu, na troposfera pode contribuir para a formação de grandes pedras e bolas de gelo de vários centímetros de diâmetro, como as analisadas.

O que foi encontrado no interior do granizo?
Dentro do laboratório, foram encontradas bactérias, fungos e diatomáceas (algas microscópicas que vivem tanto em águas doces como salgadas) ao serem analisadas camada por camada de gelo.

Enormes pedras de gelo recordes foram colhidas em tempestades na Eslovênia em junho de 2019. Crédito: Misel Podgorski. Divulgação twitter @StormchaserUKEU
Enormes pedras de gelo recordes foram colhidas em tempestades na Eslovênia em junho de 2019. Crédito: Misel Podgorski. Divulgação twitter @StormchaserUKEU

Nas camadas externas, houve grande concentração de partículas de areia do deserto. Já nas camadas internas, foram encontradas então, fibras naturais e fibras derivadas de plástico, como o tereftalato de polietileno (PET), presente em larga escala na produção de garrafas plásticas pet e de fibras sintéticas.

Os cientistas eslovenos também detectaram no granizo a presença de fibras de algodão tingidas com corantes usados na indústria têxtil.

“Essa descoberta prova que as partículas de fibra são capazes de se mover milhares de quilômetros acima da superfície da Terra e no alto da troposfera”, afirmou a estudiosa Manca Kovac Virsek. “A indústria têxtil, o tráfego rodoviário e a agricultura estão entre as principais fontes de microplásticos”, segundo a pesquisadora.

O estudo com as amostras de granizo na Eslovênia foi conclusivo e pela primeira vez os microplásticos foram detectados a 11 quilômetros de altitude, na camada da troposfera. Outros estudos no mundo envolvendo granizo foram realizados em camadas mais baixas, afirmam os cientistas.

Entretanto, os microplásticos não são os únicos responsáveis por gerar grandes pedras de granizo numa tempestade e existem vários fatores, que poderão ser provados em outras pesquisas futuras.

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