Segunda-feira, 10 jan 2022 - 11h35
Por Maria Clara Machado

Erosão e chuva são fatores principais nas prováveis causas da queda de rocha em Capitólio

As causas do acidente na região dos Cânions de Furnas foram levantadas por geólogos e técnicos durante todo o fim de semana, ao mesmo tempo em que um inquérito foi instaurado pela Polícia e a Marinha. O desprendimento de um grande paredão de rocha sobre embarcações turísticas ocorreu no último sábado por volta do meio dia.

Momento do desmoronamento de uma grande rocha sobre embarcações nos Cânions do Lago de Furnas, em Capitólio, no dia 8 de janeiro. Crédito: Reprodução Redes Sociais
Momento do desmoronamento de uma grande rocha sobre embarcações nos Cânions do Lago de Furnas, em Capitólio, no dia 8 de janeiro. Crédito: Reprodução Redes Sociais

O tipo de rocha aliado a uma ação prolongada e natural do tempo, além de muita infiltração de água são fatores importantes apontados nas possíveis causas para o desmoronamento do grande paredão de rocha que atingiu diretamente três embarcações com turistas que realizavam o passeio na região dos cânions no Lago de Furnas.

O Lago da Represa de Furnas está entre os maiores lagos artificiais do mundo e a formação dos cânions com acesso por Capitólio é ponto turístico famoso e bastante visitado, especialmente durante o período de férias.

Em torno de 70 pessoas, somando outras embarcações, estavam no local no momento do desprendimento da grande rocha de um dos paredões do cânion e também foram impactadas por uma onda alta que se formou a partir do desmoronamento.

As autoridades atualizaram esta segunda-feira os números das vítimas confirmando 10 mortos, sendo 4 pessoas da mesma família e o piloto, que estavam na embarcação Jesus, mais próxima ao paredão, no momento do acidente.

Paredão de rocha desaba no Lago de Furnas, após semanas de chuvas intensas em Minas Gerais. Crédito: Reprodução Redes Sociais.
Paredão de rocha desaba no Lago de Furnas, após semanas de chuvas intensas em Minas Gerais. Crédito: Reprodução Redes Sociais.

A área permanece isolada com prosseguimento das buscas por desaparecidos pelo Corpo de Bombeiros e a Marinha ainda debaixo de chuva. As equipes de investigação indicam a Prefeitura de Capitólio como responsável pela regulamentação da atividade turística na região.

Uma lei regulamenta e permite os passeios turísticos no local dos Cânions de Furnas, ressaltando inclusive, que embarcações não podem ficar estacionadas na região, entretanto, não é especificado a distância mínima em que os barcos devem permanecer do paredão e nem se as atividades podem ser mantidas durante períodos de muita chuva.

Erosão e muita chuva
A rocha que desmoronou sobre o lago tinha altura aproximadamente de um prédio de pelo menos 10 andares e uma fenda extensa de ponta a ponta estava visível, facilmente observada em imagens do momento do desprendimento, que foram publicadas nas redes sociais e divulgadas pelos meios de comunicação durante todo o fim de semana.

Geólogos explicaram que a rocha inicialmente era um arenito, uma rocha sedimentar, e que sofreu transformações ao longo dos anos tornando-se uma rocha de quartzito. Assim, por serem formadas através de sedimentos, restos de erosão de outras rochas, formam camadas, onde cada uma delas tem uma resistência diferenciada.

Outro fator levado em conta nas observações de especialistas são as fissuras verticais e horizontais e os poros da rocha que absorvem a água da chuva, tornando a rocha ainda mais pesada ao longo do tempo. Essa infiltração de água aumentou com a chuva abundante que vem caindo na região de Capitólio e em muitas áreas de Minas Gerais nas últimas semanas.

Também se falou na ocorrência de uma cabeça d’água em uma cachoeira que deságua no Lago de Furnas, dias antes da queda da rocha, evidenciando sinais de perigo.

A cabeça d’água é um fenômeno natural que pode acontecer diante de muita chuva e resulta num aumento rápido e repentino do nível da água em um rio. Um grande volume de água é despejado de uma vez só sobre a queda de uma cachoeira.

Imagens feitas por turistas mostram a ocorrência da cabeça d'água e o momento da queda da grande rocha na região dos Cânios de Furnas:

Fortes chuvas
As fortes chuvas devem continuar e grande parte de Minas Gerais permanece em perigo ou grande perigo, segundo alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

Segundo último balanço da Defesa Civil estadual, 145 cidades mineiras estão em situação de emergência desde o início do período chuvoso em outubro. Em inúmeras áreas as enchentes tomaram conta, estradas estão bloqueadas e há muita destruição, com cerca de 17 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.



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