Quinta-feira, 24 set 2020 - 16h47
Por Maria Clara Machado

Gelo marinho do Ártico atinge a segunda extensão mais baixa em décadas

O gelo marinho do Ártico atingiu no último dia 15 de setembro, sua menor cobertura na região deste verão de 2020, revelaram pesquisadores da NASA. A extensão de gelo é a segunda mais baixa levando em conta a média entre 1981 e 2010. Os cientistas alertam para mais este recorde preocupante, que pode levar no futuro a um Oceano Ártico sem gelo durante o verão.

Navio de pesquisa Polarstern no Pólo Norte em 19 de agosto de 2020. Crédito: Earth Observatory Nasa.
Navio de pesquisa Polarstern no Pólo Norte em 19 de agosto de 2020. Crédito: Earth Observatory Nasa.

Previsões preocupantes
A revista científica Nature Climate Change publicou um estudo, mês passado, em que faz um alerta para os próximos verões no Oceano Ártico. Segundo pesquisadores britânicos, o processo de derretimento vem ocorrendo de forma acelerada e a cobertura de gelo durante o verão poderá sumir completamente até 2035.

Todos os anos, o gelo marinho do Ártico se expande com o congelamento da superfície do mar ao longo do inverno, mas no verão o gelo derrete e é normal atingir sua menor área em setembro. O que vem chamando a atenção e preocupando os estudiosos do clima, é que o degelo no Ártico tem sido cada vez maior nas últimas décadas.

Nos meses de inverno, o gelo pode cobrir uma área equivalente a 15 milhões de quilômetros quadrados sobre o Oceano Ártico.

Estudos mostram que na década de 80, o gelo cobria em média 10 milhões de quilômetros quadrados nos meses de julho (verão no hemisfério norte). Já em julho deste ano, o gelo marinho do Ártico cobria apenas 7,2 milhões de quilômetros quadrados.

Degelo acelerado
Dados divulgados pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) indicam que o gelo marinho está presente no norte do Mar de Bering apenas entre três a quatro meses anualmente, enquanto no passado chegava a cobrir a região por oito meses no ano.

Os pesquisadores da NASA e do NSIDC (National Snow and Ice Data Center) analisaram recentemente dados de satélite que mostraram que a calota polar ártica encolheu 3,74 milhões de quilômetros quadrados este ano, atingindo o menor valor possivelmente em medos de setembro e sendo o segundo menor valor já registrado.

O gráfico mostra o mínimo de gelo marinho em 15 de setembro, muito menor do que a extensão média no mesmo período, entre 1981 a 2010. Crédito: NASA.
O gráfico mostra o mínimo de gelo marinho em 15 de setembro, muito menor do que a extensão média no mesmo período, entre 1981 a 2010. Crédito: NASA.

Sendo assim, 2020 e 2012 estão entre os anos com maior derretimento de gelo marinho do Ártico durante o verão, ficando abaixo de 4 milhões de quilômetros quadrados.

Os cientistas não estão tão surpresos e afirmam que o mínimo de gelo este ano está seguindo uma tendência de um declínio contínuo. Alek Petty, do Goddard Space Flight Center da NASA, confirma que as 14 extensões de gelo mais baixas já registradas no Ártico no período do verão ocorreram nos últimos 14 anos.

O que pode ter acontecido em 2020?
Não é novidade que o Oceano Ártico está aquecendo mais rápido do que o restante do planeta.
Os cientistas apontam diversos fatores que contribuíram para diminuir tanto o gelo marinho em 2020. Uma onda de calor na Sibéria, observada na primavera, impulsionou o rápido derretimento no Ártico já no início da temporada.

O gelo marinho estava muito mais fino do que nos anos anteriores, disseram os pesquisadores. Acredita-se que a água mais quente do mar possa também estar derretendo o gelo por baixo.

Outro fator está ligado a um sistema atmosférico que influenciou o Oceano Ártico este verão e teve um efeito sobre o gelo. Uma baixa pressão se formou na região entre o final de julho e o início de agosto. Uma tempestade semelhante foi apontada como causa do mínimo de gelo marinho registrado em 2012.

Embora o derretimento no Ártico tenha sido um dos maiores este ano, é importante levar em conta as variações regionais. Por exemplo, o degelo de 2020 no Mar de Beaufort foi menor na comparação com 2012, enquanto no mar de Laptev e da Groenlândia Oriental, foi maior este ano.



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